Ensino Superior

Reitor compromete-se a receber assinaturas da acampada pela Palestina no dia 11 de junho

Por Tomás Araújo Barros

Comunidade académica que protestava por nova reunião com reitoria foi bloqueada na Porta Férrea. Petição pública de apoio às reivindicações estabelecidas já obteve cerca de 800 assinaturas. Por Clara Neto

Por volta das 17 horas do dia 7 de junho, entre a escadaria da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC) e uma Porta Férrea ainda em silêncio, mobilizavam-se os estudantes da acampada pela Palestina, em conjunto com investigadores e docentes. Após uma breve explicação pública do plano de ação para a tentativa de entrega de assinaturas pelo fim da cumplicidade académica da UC com Israel, cerca de 40 pessoas uniram-se em protesto, exigindo uma renegociação com a reitoria.

Tomás Araújo Barros

Distribuíram-se folhas com cânticos populares adaptados, passaram-se cartazes revoltados e uniram-se mãos para segurar uma colossal bandeira palestiniana. De palmas pintadas de vermelho, enquanto carregavam a faixa que ditava “pedimos a palavra porque o silêncio é ensurdecedor”, os membros da marcha ficaram impedidos de entrar no Paço das Escolas. A este ponto, encaravam os seguranças da UC e questionavam: “se os turistas estão a entrar, porque é que os estudantes não entram?”.

Em resposta à manifestação, a Porta Férrea foi fechada. Mesmo assim, alguns estudantes conseguiram entrar no Paço das Escolas. Foi então que foi vedado qualquer acesso ao local e apenas quem estava dentro pôde sair. “A universidade é de todos e nós queremos entrar!”, eram as palavras de pressão que faziam frente à porta de ferro.

Tomás Araújo Barros

“Amílcar não quero saber, estão estudantes a morrer!”, “sol, chuva, frio e calor, já são 18 dias à espera do reitor!”, foram frases fortemente bradadas. A adjunta da reitoria saiu pela porta lateral para conversar com os porta-voz. O facto de o reitor, Amílcar Falcão, estar em funções institucionais em Macau não lhes permitiu estabelecer um contacto direto com ele. Descobriu-se, ainda, que não estavam a dar acesso ao protesto por se estar a montar um palco para um evento no Paço das Escolas. Por volta das 18h, os mensageiros da acampada estudantil foram convidados a reunir com a UC. Enquanto isso, uma jovem trazia um saco branco que imitava um corpo e deitou-o aos pés da Porta Férrea.

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Ao sair das conversações com a adjunta da reitoria, os porta-voz anunciaram, ao apresentar um documento assinado pela chefe de gabinete do reitor, que iriam ser notificados hoje de um dia concreto para receber os representantes dos estudantes da acampada, de forma a conseguirem entregar todas as petições assinadas até à data. Maria João Gonçalves, porta-voz do movimento, garante: “conseguimos atingir o nosso objetivo, efetivamente, este compromisso de honra foi concretizado e consideramos a ação de ontem um sucesso”. Há ainda a oportunidade de continuar a acumular mais assinaturas até lá, de acordo com César Sousa, membro do protesto. O jovem apelou, em tom de conclusão discursiva, para que os participantes da causa sejam “pacientes, sensatos e razoáveis”, de modo a não perderem “o ânimo de vista”.

Segundo Maria João Gonçalves, o abaixo-assinado das infraestruturas tem, aproximadamente, 30 assinaturas e a petição geral (para a comunidade académica e civis) já tem cerca de 800 assinaturas. Por volta das 19 horas de hoje, o reitor comprometeu-se a reunir com os representantes do grupo no dia 11 de junho, às 14 horas.

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