Cultura

XXXII FESTUNA celebra a liberdade com memórias e canções de Abril

Camila Luís

Fusão de música latina e mexicana abriu festival ao som de João Mendes da Silva, antigo estudantino. TUA conquista cinco dos dez prémios da noite. Por Camila Luís

O FESTUNA – Festival Internacional de Tunas de Coimbra, dinamizado pela Estudantina Universitária de Coimbra (EUC), grupo da Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra (SF/AAC), regressou ao Jardim da Sereia com a sua XXXII edição. Sob o tema 25 de Abril, o evento coorganizado com a Câmara Municipal de Coimbra cantou a liberdade ao som de vários grupos musicais do país.

O primeiro dia de festival, 3 de maio, foi dedicado à Noite de Serenatas, realizada no Colégio da Trindade pelas 21h30. Já no dia seguinte, a tarde foi ocupada com um Sarau Cultural, seguido de uma Noite de Espetáculo. Este contou com a participação de vários convidados que, antecedendo as atuações das tunas, na primeira parte da noite, relembraram a sua vivência até à Revolução dos Cravos. Já na segunda, foram enunciados problemas que assolam a geração presente.

A concurso concorreram quatro grupos: a TUA (Tuna Universitária de Aveiro), a TAL (Tuna Académica de Lisboa), a Hinoportuna (Tuna académica do Instituto Politécnico de Viana do Castelo) e anTUNiA (Tuna de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa). A noite contou também com uma atuação extra do antigo estudantino João Mendes da Silva, que iniciou recentemente uma carreira a solo, com o seu projeto (IN)SENSATEZ.

Apesar do temporal incerto que marcou os dias do festival, o espetáculo continuou e recebeu no palco João Mendes da Silva. Numa fusão entre os ritmos mexicano e latino, o músico animou o público com o tema “Sabor a mi”. Acompanhado por João Serrano no trompete, Ismael Silva na percussão, Diogo Passos na guitarra e Filipe Ferreira no contrabaixo, prosseguiu com o tema “Mia” e despediu-se com “Canção de Lisboa”, de Jorge Palma.

As primeiras memórias trazidas ao de cima foram as de Mário Campos, antigo membro da SF/AAC e do Clube Académico de Coimbra que esteve na final da Taça de 1969. O ex-integrante da Briosa revelou que, sendo o futebol um mecanismo de tamanho peso durante o Estado Novo, os dirigentes associativos da altura perceberam que aliar a modalidade ao movimento estudantil “podia ter um êxito muito grande”.

Camila Luís

A Hinoportuna abriu o concurso com uma adaptação do tema “Cantigas de Maio”, de Zeca Afonso, dedicado a todas as mulheres. Presenteou ainda a plateia com o seu instrumental “Duetos”, em homenagem a todos os que conquistaram a liberdade e continuam a regá-la. “Entre o Samba e o Fado” foi o tema que se seguiu, um original do grupo em tributo de dois países que, apesar de afastados no mapa, tanto têm em comum: Portugal e Brasil. Ao som da percussão, levantaram os ânimos do público e encerraram o espetáculo com a música “Amor de Perdição”.

Camila Luís

As evocações do passado prosseguiram com a intervenção de Jorge Castilho, presidente da Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra, jornalista e ex-combatente do Ultramar. Na sua intervenção, salientou que a liberdade deve ser usada “sem abusar dela”, ou seja, para a defesa de valores que garantam uma “vida justa” para todos.

O festival continuou com a TUA, que começou a sua atuação com um relato cronológico do dia da Revolução, e prosseguiu com um ‘mix’de canções de Zeca Afonso. Iluminados pelas luzes arroxeadas que refletiam na fonte do Jardim da Sereia, ecoaram temas como “Venham mais cinco” e uma adaptação de “Grândola Vila Morena”. A meio da atuação, um dos membros gritou “Olha a PIDE!” e, em seguida, ouviu-se a música “O que faz falta”. Em alusão a outros países privados da liberdade no passado, cantaram a peça “Fantoches de Kissinger” e encerraram o momento musical com “Amor à beira-mar”.

Camila Luís

As vozes do Tejo fizeram-se ouvir com a anTUNia, que vislumbrou o público com a adaptação do tema “O Menino e a Cidade”, dedicado a todas as mães em ocasião de ser o seu dia. O original “Rastos de Sabor” foi a composição que se seguiu, acompanhada do ritmo harmonioso dos bongós, que elevaram o ânimo da canção para o tom ideal.

Camila Luís

A segunda parte do festival foi aberta por Francisco Flor, vogal com o pelouro da política cultural da Direção-Geral da AAC que, em representação da voz dos jovens, destacou “o populismo, as redes sociais e as ‘fake news’ como algumas das grandes problemáticas atuais. O último grupo a concurso, a TAL, destacou-se ao fazer acompanhar a sua atuação com a simulação de sons de marcha. Presenteou ainda o público com várias canções de protesto, entre as quais “Liberdade”, de Sérgio Godinho.

Camila Luís

A tuna anfitriã iniciou a sua atuação com “Vampiros” de Zeca Afonso, após Pedro Andrade, membro da SF/AAC, proferir “Sem censura, vamos cantar aos vampiros deste país!”. Em tributo a Luis de Camões, tocou-se a canção “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, com ajuste musical de Mário Branco. Para encerrar a atuação, os elementos antigos da EUC subiram a palco e, em uníssono, cantaram o original “Assim mesmo é que é”, encerrando o momento musical com o seu clássico “Madalena”.

Camila Luís

Findas as atuações, deu-se início à entrega de prémios que consistiam em faiança coimbrã produzida pelo Atelier Abrantes. A Hinoportuna levou para casa os prémios “Simpatia” e “Melhor Estandarte”. Com o maior número de títulos conquistados, a TUA foi distinguida por “Melhor Desempenho Vocal”, “Melhor desempenho instrumental”, “Melhor Solista”, “Grande prémio” e, por fim, com o título “Melhor apresentação”, concedido pela primeira vez na história do FESTUNA. Já o grupo anTUNiA foi condecorado com “Melhor Serenata” e “Melhor Pandeireta”. Por fim, o galardão de “Melhor Solista” foi atribuído à TAL. A noite foi encerrada ao som de “Traçadinho”, clássico da EUC, que uniu numa só voz a plateia e os grupos musicais.

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