Ciência & Tecnologia

UC estuda efeito antifúngico de microalgas para proteger património cultural

Cedida por Sara Machado

Projeto desenvolve alternativa sustentável para combater microrganismos. Investigador destaca vantagens ecológicas e económicas. Por Leonor Viegas

A Universidade de Coimbra (UC) está a desenvolver um estudo acerca da aplicação de microalgas para tratamento de afluentes de estações de tratamento de águas residuais (ETARs) e geração de biocombustíveis. Nuno Mesquita, investigador do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da UC, esclarece que objetivo é testar se a biomassa gerada por estas espécies podem ter algum efeito antifúngico. O projeto, feito em pareceria com a Lodz University of Technology, na Polónia, é da autoria de Ewelina Sobolewska, estudante do doutoramento no instituto polaco.

A investigadora “utiliza bio reatores com comunidades de algas para despoluir águas residuais e degradar alguns dos compostos presentes nos seus afluentes”, explica Nuno Mesquita. A investigação permitiu perceber que alguns dos extratos libertados “tiveram respostas positivas no abrandamento e na inibição do crescimento de microfungos”, revela.

O orientador da investigação denota a relevância do estudo para o controlo de contaminação fúngica em património cultural, através de soluções ecologicamente seguras, uma vez que “os fungos são responsáveis pela degradação de monumentos”. O extrato gerado pelas algas presentes nos bio reatores constituem alternativas aos compostos químicos “nocivos para o ser humanos e para o ambiente” utilizados para combater estes microrganismos, clarifica.

Segundo o investigador do DCV, os compostos com capacidades antifúngicas podem ainda constituir uma solução para infeções ou complicações médicas, elucida o investigador. Acrescenta ainda que as descobertas potenciadas pela investigação apresentam vantagens económicas, pois “os extratos utilizados para tratar estes microrganismos resultam da produção de biomassa em excesso”.

Nuno Mesquita expõe que a investigação ainda não terminou e que a próxima fase prevê a aplicação dos extratos de biomassa em superfícies contaminadas. Pretendem ainda testar novos tipos de fungos para perceber a abrangência dos compostos em diferentes espécies, elucida.

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