Cultura

Sarau de Gala é como uma “viagem no tempo”

Sofia Ramos

Música, dança e ginástica enchem auditório do TAGV. Problemas organizacionais obrigam COQF a assumir responsabilidade técnica do evento. Por Mafalda Adão

Foi às 21h15 que o Maestro da Tuna Académica da Universidade de Coimbra (TAUC) arrancou o Sarau de Gala da Queima das Fitas (QF) no auditório do Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV). Apesar dos atrasos habituais e problemas na organização, a sala de espetáculos foi esgotada na primeira noite de concertos na Praça da Canção.

A TAUC iniciou o espetáculo lado a lado do Orfeon Académico de Coimbra (OAC) como já é tradição. Após tocarem três músicas, os apresentadores, Alexandra Guimarães e Miguel Caridade, surgiram perante a plateia e anunciaram que o objetivo do Sarau de Gala é realizar uma “viagem no tempo” e “reviver a tradição académica”, em comemoração do 125º aniversário da QF. Partilharam também que o espetáculo vem homenagear Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira, duas grandes vozes da canção de Coimbra.

Seguiu-se uma nova apresentação do OAC, mas desta vez com os Pardalitos do Mondego e juntos interpretaram os temas “Cantar da emigração” e “Traz outro amigo também”. O espetáculo continuou com um momento acapela do OAC com duas canções mais contemporâneas, sendo estas, uma música da ‘soundtrack’ do filme “O senhor dos anéis” e “Contentores” dos Chutos e Pontapés. Estas últimas obras foram dedicadas aos finalistas, para os acompanhar na sua despedida de Coimbra.

Com o fim da performance do OAC, subiu ao palco a TAUC que, em homenagem a Zeca Afonso, decidiu tocar os temas “Maio Maduro Maio”, “A Morte Saiu à Rua” e “Maria Faia”. A seguir foi a vez do Coro Misto da Universidade de Coimbra (CMUC) cantar as músicas “The lion sleeps tonight” e “Wannabe”, das Spice Girls, semelhante ao ano anterior. Ressaltaram ainda o trabalho feito pelo grupo no que toca à inclusão de diversas nacionalidades e terminaram a sua apresentação com a canção “Balada de Outono”, de Zeca Afonso.

Os próximos a marcar presença foram a Big Band Rags que, com a sua energia, animaram a plateia. As suas interpretações de “A vida dura muito pouco” e “Tu és a que eu quero” de José Pinhal levaram a que a multidão se levantasse a dançar pelos corredores do auditório. Após um curto intervalo, foi então a vez da Secção de Ginástica da Associação Académica de Coimbra (SG/AAC) se apresentar. Entre saltos e acrobacias, os ginastas fizeram-se brilhar no palco e o público não ficou indiferente às suas manobras. Depois desta exibição seguiram-se os grupos da Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra (SF/AAC), acompanhados de antigos membros.

O Grupo de Fados e Guitarradas tocou o seu tema original “Feiticeira” e o Grupo de Cordas homenageou Zeca Afonso com a sua música “Medley”. A Estudantina Feminina continuou a alegrar a noite com a sua canção “Trincana”, juntamente com a Orquestra Típica e Rancho que manteve vivo o costume das músicas e danças tradicionais ao som de “Camélias” e “Caiu a laranja”. Seguiu-se a performance da Estudantina Universitária de Coimbra que cantaram “Os vampiros” de Zeca Afonso e “Numa noite de luar”. Continuaram com o espetáculo as Mondeguinas com o seu arranjo de “Grândola Vila Morena” e a sua música original intitulada de “Indignação”.

Apresentou-se a FAN-Farra Académica de Coimbra com “A véspera do adeus” e a “Lenda encantada” e As FANS – Tuna Feminina da Universidade de Coimbra que tocaram “Fado Menino” e “Sonhar a preto e branco”, música que deu título ao seu primeiro álbum. A noite deu-se por encerrada pelas 2h30, após a atuação da Orxestra Pitagórica que trouxe a palco músicas novas e muita animação.

Problemas organizacionais

Apesar das apresentações energéticas e de um público animado, João Sousa, membro da SF/AAC e do Pelouro da Cultura da Comissão Organizadora da Queima das Fitas (COQF) revela que ocorreu um imprevisto na realização do Sarau de Gala. Confessa que a equipa do TAGV solicitou ajuda na mudança de palco no entanto, a COQF assumiu que não seria necessário “conhecimento técnico”. Apenas no dia da atividade foram informados que iriam ter que assumir a função da equipa técnica durante todo o espetáculo.

Dos funcionários do TAGV, apenas dois técnicos acompanharam a COQF. Deste modo, a responsabilidade da produção recaiu sob o Pelouro da Cultura que, em menos de um dia, teve de reunir o máximo de pessoas possíveis para que o Sarau da Gala pudesse continuar. João Sousa partilha como a equipa “quase teve que tirar uma licenciatura em seis horas” e demonstra orgulho para com o Pelouro e o trabalho desenvolvido.

O associado reconhece problemas na organização da QF. “A COQF do ano que vem tem mesmo que olhar para dentro e perceber onde pode melhorar”, afirma. Destaca a carência de apoio aos “eventos que fogem à Praça da Canção”, apelando a uma maior “mobilização, divulgação e até apoio na criação artística” por parte da Comissão.

Apesar das dificuldades enfrentadas, João Sousa faz um balanço positivo: “tentamos sempre inovar”. Sublinha que a culpa não foi de modo nenhum da COQF e termina ao dizer que “em geral o Sarau de Gala foi muito positivo e o que importa é que todos os grupos puderam atuar”.

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