Festas Académicas

Rap Português faz vibrar Academia de Coimbra até de manhã

Bárbara Monteiro

Dillaz e Slow J fazem furor na QF’24, com letras e melodias portuguesas conhecidas por todos os estudantes. Noite no parque encerra com “instrumentos seríssimos” da Orxestra Pitagórica a tirar a multidão do chão. Por Ana Filipa Paz, Bárbara Monteiro e Clara Neto

O Parque da Canção recebeu mais um dia de Queima das Fitas 2024 (QF’24), com predominância da língua portuguesa e dos novos sons alternativos em alta no panorama nacional. Depois da mais recente revelação Jura, seguiu-se Dillaz e Slow J, nomes que fizeram cobrir todo o relvado do recinto. Para fechar o palco principal, a Orxestra Pitagórica reuniu centenas de estudantes, numa noite repleta de animação e boas energias. 

A noite da quinta-feira académica mais esperada do ano abriu com o concerto da Desconcertuna, Tuna Mista da Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra, pelas 22 horas. A antecipação do concerto foi anunciada cerca de 20 minutos antes dos estudantes subirem a palco. A atuação que se seguiu foi de Jura, artista revelação premiada na última edição dos prémios Play – Prémios da Música Portuguesa. Com o seu ‘hit’ “Milagre”, a jovem deixou todo o público a dançar. 

À medida que o recinto da QF’24 se ia enchendo, pelo público já se ouviam comentários expectantes pelo próximo artista. Pelas 00h10, é a vez de Dillaz dizer “Alô” à maior festa de estudantes do país. Em furor, o rapper e produtor português chamou pelos espectadores, ao repetir empolgadamente “Coimbra!”. Entre chamas que aqueceram tanto o palco como o ambiente, o artista lançou-se ao recinto com os êxitos “Não Sejas Agressiva”, “Carro” e “Mo Boy”. No público, Filipa Mourão destacou a capacidade do artista de “cativar o público”. 

Antes de fechar o palco principal, Slow J trouxe a Coimbra o seu último e mais aclamado álbum, “Afro Fado”. Depois de duas noites a encher o Altice Arena, o Parque da Canção não ficou atrás e os estudantes da academia de Coimbra juntaram-se para mostrar a sua admiração pelo artista. “Tata” e “Where you @” foram dois dos temas mais aplaudidos pela QF’24. Para Mariana Rodrigues, entre as músicas apresentadas, a que mais gostou de ouvir foi a “Teu eternamente”. Por outro lado, mencionou que o som neste concerto “estava pior e a voz do Slow J era imperceptível”.

Para terminar em alta, o parque vibrou com o som dos “instrumentos seríssimos” da emblemática Orxestra Pitagórica, grupo da Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra: sanitas, sinais de trânsito, garrafas de vidro… Como sempre nos tem habituado, o grupo satírico juntou ao seu repertório temas em tom de crítica aos “maus” hábitos da academia na Queima das Fitas e ao seu afastamento das tradições académicas. 

É com vontade de se juntar a palco e vestir as fraldas de pano dos pitagóricos que o público se despede de mais um dia de Noites no Parque. Leonie Apitz, antiga estudante de Coimbra, relatou que este concerto “puxou mais pelo público” e descreveu o ambiente “familiar” vivido entre a Orxestra Pitagórica e as pessoas que assistiam. Pedro Neves, Beatriz Almeida e Marta Miragaia partilham da mesma opinião e destacam a performance “fora da caixa” do grupo. “O serem ‘anti-tunas’ e as críticas que fazem nas músicas trazem originalidade e dá personalidade”, afirmam. 

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