Festas Académicas

Pimba e ritmos alternativos atraem estudantes ao Parque da Canção após Cortejo da QF

Ana Raquel Cardoso

Apesar do cansaço, várias gerações bateram pé ao som da música popular portuguesa. Penúltima noite do Palco RUC explorou limites entre géneros musicais com cartaz diversificado. Por Ana Raquel Cardoso e Raquel Lucas

A terceira noite da Queima das Fitas 2024 (QF’24) no Parque da Canção veio para animar Coimbra com os ritmos populares e pimba que, todos os anos, marcam a noite pós-Cortejo da QF. Para manter a tradição, o destaque deste domingo foi Quim Barreiros, antecedido pelos Pimba Misto by Insert Coin, banda protagonizada por Ruth Marlene, no palco principal. Do outro lado do recinto, no Palco RUC, manteve-se a multiplicidade de géneros musicais, trazidos ao público por artistas emergentes no panorama nacional, como Dj Danifox e Hetta. Já na Tenda contou-se com a atuação de Dj Danny Lopes, Salero, Sanches e Miguel Bravo, nome habitual no cartaz da festa académica.

A abertura do Palco da rádio dos estudantes ficou a cargo de Artures B2B Lagryma, Dj’s da RUC, que invadiram o recinto pelas 23 horas com ritmos envolventes de música eletrónica fundida com pop, breaks e ghetto. À mistura trouxeram sonoridades latinas e energizantes para agarrar o público que, mesmo disperso, se manteve por ali para receber Francisco Moreira, também Dj da Casa. Do início ao fim, o artista viajou pelo indie-rock e o post-punk, passando por ritmos mais estridentes de metal, deixando a plateia de coração acelerado.

Por Raquel Lucas

O relógio já batia as 00h30 quando Pimba Misto by Insert Coin abriu o palco principal. A banda, composta por Ruth Marlene, Iran Costa e Jorge Guerreiro, envolveu o Parque da Canção numa onda de música popular que gerou muita dança e entusiasmo, fruto de uma plateia eclética. Entre aplausos, o grupo pautou a sua atuação pela forte interação com o público, marcado pela presença de várias gerações. Pela mesma altura já se fazia soar no Palco RUC o som de Hetta. Vindos do Montijo para fazer estremecer Coimbra, Alex Domingos, João Pires, Simão Simões e João Portalegre ofereceram um espetáculo dinâmico a partir de uma abordagem fora do comum entre o punk e o post-hardcore.  

Por Ana Raquel Cardoso

Lara Simões e Lucas Silva, estudantes do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC) e da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), respetivamente, contam que vêm para o palco da rádio-escola para explorar géneros musicais alternativos através de novos nomes. Apesar de estar “às cegas” quanto ao cartaz, o aluno admite ter ficado surpreendido com os músicos. Por sua vez, Lara Simões, espectadora assídua deste palco, confessa que vai manter a tendência e voltar para ver alguns artistas que ouve com frequência.

Quim Barreiros deu entrada no palco principal pelas 2 horas para levar o pimba p’la noite dentro. Com as suas rimas brejeiras e divertidas, o “Mestre da Culinária” agitou o recinto através de canções típicas como “O melhor dia para casar”, “A Cabritinha” e “A Garagem Da Vizinha”. Mesmo estando cansados, resultado de uma tarde repleta de tradição e emoção, os estudantes não contiveram a sua energia para receber o músico que, a meio da sua atuação, pediu ao público “a maior salva de palmas da noite” para os finalistas. Assim, incentivou a plateia a festejar a Academia com um “comboio de finalistas” que fez vibrar o chão.

De seguida, ao som de batidas de kuduro apimentadas por um toque de house, Dj Danifox trouxe para o Palco RUC uma cena musical pautada por sonoridades africanas e ritmos palpitantes, não deixando ninguém indiferente na pista. O artista fez uso da sua hora e meia de espetáculo para desafiar os limites entre géneros musicais, alimentando o ânimo daqueles que vieram para este lado do recinto com o intuito de “descobrir novos estilos de música”, como é o caso da aluna do ISEC.  

Por Ana Raquel Cardoso

Chegaram as 3h30 e, com elas, chegou também a vez de assistir às vozes dos estudantes da cidade. A primeira performance ficou a cargo da Quantunna – Tuna Mista da FCTUC, que marcou a sua atuação ao encher o palco principal de branco e azul claro. Fazendo-se acompanhar do acordeão, do cavaquinho e da flauta transversal, o grupo homenageou as donzelas da plateia com o original “Tricana”, seguido do tema “Oito Badaladas”, que dá nome ao festival que organiza todos os anos. 

De seguida, e antes de se fazer soar o ex-libris “Festa das Latas”, foi chamado à frente do palco o dux veteranorum do Conselho de Veteranos da Universidade de Coimbra – Magnum Concilium Veteranorum, Matias Correia, também presidente da Quantunna. Este gesto serviu para valorizar o seu percurso no seio do grupo académico e, ainda, para lhe agradecer por se manifestar a favor do retorno da Serenata ao Largo da Sé Velha. Posto isto, a tuna convidou todos os cartolados da FCTUC a juntar-se a si para festejarem a sua conquista.

Por Raquel Lucas

Seguiu-se o espetáculo da FAN-Farra Académica de Coimbra, que teve início perto das 4h30. De pandeiretas na mão e estandarte ao cimo, o grupo mostrou que, mesmo com um público reduzido, a cidade ainda estava acordada. Entre outros temas, interpretaram os originais “Mondego” e “Naquela Janela”, sendo este último dirigido às donzelas que, num frenesim animado, foram chamadas para dançar com os trovadores. Por fim, e em tom de despedida, fizeram soar “Lenda Encantada”, fechando o palco principal.

Por Ana Raquel Cardoso

Para encerrar a noite, o Dj Travella encarregou-se de mover a plateia do Palco RUC ao som de afrobeats sob uma névoa de ritmos frenéticos que fez o público, já disperso, bater pé até ser de manhã. Oriundo da Tanzânia, o artista transportou para Coimbra os ritmos vivos do singeli numa performance que cativou aqueles que, por esta altura, já se encontravam com menos energia.  

Por Raquel Lucas

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