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Em tom de protesto, Serenata Monumental regressa à Sé Velha

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Manifestação marcada para madrugada do dia 24. Presidente da SF/AAC aponta que estrutura esteve “bastante só” na luta para manter evento na Sé Velha. Por Joana Almeida e Bárbara Monteiro

Após grande incerteza sentida nos últimos dias quanto à realização da Serenata Monumental da Queima das Fitas, a Comissão Organizadora da Queima das Fitas de Coimbra (COQF) lançou ontem, dia 22 de maio, um comunicado em que informa o cancelamento deste evento. Contudo, a Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra (SF/AAC) comunica que vai marcar presença no Largo da Sé Velha, à meia-noite da madrugada de dia 23 para 24 de maio, para cumprir a tradição Coimbrã. Ambas as entidades foram contactadas pelo Jornal Universitário de Coimbra – A CABRA, no entanto apenas a SF/AAC mostrou disponibilidade para prestar declarações.

Depois da SF/AAC ter anunciado que se recusava a participar na Serenata Monumental caso esta não se realizasse na Sé Velha, a SF/AAC e o Conselho de Veteranos da Universidade de Coimbra – Magnum Consilium Veteranorum juntaram-se, no dia 30 de abril, no Auditório da Reitoria, para debater a localização desta iniciativa. Nesta assembleia, a permanência do evento no espaço referido foi aprovada com 410 votos a favor. Neste seguimento, no dia 2 de maio, a COQF lançou um novo comunicado em que referem ter apresentado às entidades competentes um plano de segurança com vista à realização da Serenata Monumental “mais segura de sempre”, no entanto, o parecer foi negativo. Neste sentido, foi estabelecido que se até dia 15 de maio, esta decisão não se alterasse e os grupos académicos mantivessem a sua posição, este evento ia ser cancelado.

No dia 20 de maio, a COQF lançou um comunicado na sua página oficial em que revelou que houve “esforços no sentido de devolver a Serenata Monumental da Queima das Fitas à Sé Velha”. No entanto, isto não aconteceu, porque até à data, não existiu um parecer positivo por parte das entidades de segurança. Assim, em Conselho Diretivo votou-se o local de realização do evento, “sendo a única possibilidade para que exista serenata nesta edição o local da Sé Nova”, anunciou a COQF. Perante isto, a SF/AAC afirmou que não vai voltar atrás na sua palavra e, deste modo, não ia atuar na Sé Nova. Assim, num vídeo publicado, no dia 21 de maio, a estrutura apontou que não vai “deixar os estudantes sem a sua Serenata Monumental”, convocando assim uma manifestação.

O presidente da SF/AAC, Diogo Ferreira, reconhece que a comunidade “está muito dividida” sobre o local da Serenata Monumental. Para o dirigente, os motivos desta divergência são a “desinformação” em relação ao assunto e a “desonestidade” por parte da COQF, que anunciou um evento em que sabia que a SF/AAC não ia participar, uma vez que desde o início recusou-se em atuar noutro local que não fosse o Largo da Sé Velha.

De acordo com o dirigente geraram-se “falsas expectativas e confusões por esta passagem de informação contraditória”. Diogo Ferreira acrescenta que “os estudantes não procuram ler os documentos na íntegra”. Assim, existe “uma má interpretação do que tem sido transmitido pela SF/AAC”, aponta. No entanto, garante que foram os únicos “que mantiveram uma opinião coerente e que se vai manter”.

Diogo Ferreira critica o facto da COQF não ter contactado a Câmara Municipal de Coimbra para averiguar se tinha “os meios necessários” para a concretização da Serenata. O dirigente reitera que a SF/AAC esteve “bastante só” na luta para manter o evento na Sé Velha.

As entidades de segurança, segundo o dirigente, colocaram exigências que estes consideram “extremistas”. Admite que os objetivos desta manifestação passam por demonstrar a vontade na realização da Serenata Monumental na Sé Velha e que “a comunidade académica é civilizada e sabe comportar-se”. Por isso, destaca que o principal desafio é o “controlo de multidões” e, nesse sentido vão zelar para que haja “ordem, serenidade e silêncio”.

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