Ensino Superior

Eleições para o NEF/AAC marcadas por elevado número de votos em branco

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Estudantes tomam opção como “forma de protesto” contra falta de mudança no órgão. Recém-eleita presidente considera continuidade entre listas como mais-valia. Por Alexandra Guimarães

No passado dia 16 de maio tiveram lugar as eleições para a Mesa do Plenário e para a Direção do Núcleo de Estudantes de Farmácia da Associação Académica de Coimbra (NEF/AAC). Apesar de a Lista S – Em Sintonia com o Teu Futuro ter sido eleita por uma margem de 68,17%, os resultados destacaram-se pela elevada quantidade de votos em branco. De entre 465 eleitores que se dirigiram às urnas, foram 144 os que tomaram esta opção, o que se traduz num aumento significativo face ao ano anterior, em que apenas 12 o fizeram.

Maria Inês Quaresma, aluna do 2º ano do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas, faz parte dos 30,97% de estudantes que votou em branco. Contudo, ressalta que este “não é um modo de abstenção nem de desprezo pelo órgão, mas uma forma de expressão e de protesto”. O mesmo fez Margarida Azul Lemos, do 3º ano do mesmo mestrado, que, embora tenha partilhado com os colegas o seu descontentamento, desconhece a existência de qualquer ação organizada para mobilizar votos neste sentido.

Na opinião da aluna do 3º ano, o “mau funcionamento do NEF/AAC” deve-se a uma “despreocupação progressiva para com os estudantes”, que se acentuou no último mandato. Como exemplo de má comunicação dentro da comunidade académica, menciona o facto de ter acesso à marcação de exames com apenas um mês de antecedência. Já Maria Inês Quaresma denuncia a falta de atividades direcionadas às licenciaturas e aos mestrados da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra (FFUC), enquanto a colega acrescenta que as que existem “são de continuação”, com sucessivas edições nas quais “não há tentativa de inovação”.

No entanto, a atual presidente do NEF/AAC, Carolina Gonçalves, garante que, por meio dos órgãos de auscultação estudantil, “não tinha chegado qualquer tipo de descontentamento”. A dirigente faz um balanço positivo do mandato, assegurando que “em nenhum momento houve algo que alertasse o núcleo para correções”. Salienta “o dinamismo, proatividade e posição forte na comunicação social”, com especial destaque para a iniciativa da Farmácia dos Pequenitos, e valoriza a elevada afluência às reuniões de plenário, prova de que “houve proximidade”.

Para as duas mestrandas da FFUC, o resultado das eleições deve-se ao facto de o único projeto candidato ser uma lista de continuidade. “O grupo não gira, passa de amigo para amigo”, revela Margarida Azul Lemos. Também a aluna do 2º ano lamenta que a continuidade seja valorizada pela lista “como um argumento de conforto e segurança” que faz com que não haja “ambição de mudança”.

Pelo contrário, a recém-eleita presidente do NEF/AAC, Raquel Pires, reconhece a continuidade como fulcral para a atividade do órgão: “só há crescimento se tivermos uma base de trabalho construída”. No seu caso, o facto de ter integrado o núcleo durante o mandato que agora finda revelou-se uma oportunidade de aprendizagem, esclarece. Ainda assim, a presidente da Lista S sublinha que uma das suas prioridades é “colocar os estudantes confortáveis para se juntarem como colaboradores”.

Nesse sentido, Raquel Pires realça o trabalho feito durante a campanha, “assente na auscultação e divulgação”. Por meios presenciais e digitais, o projeto tentou “chegar ao máximo de estudantes possível”, tanto de licenciatura como de mestrado, afirma. Contrariamente, Margarida Azul Lemos lamenta que o projeto não lhe tenha sido apresentado pelos membros da lista “por acharem que não valia a pena”, dado ter sido uma eleição não disputada. A seu ver, o facto de não ter havido concorrência foi outro fator que canalizou tantos eleitores para o voto em branco.

Embora no ano anterior tenha havido uma lista de oposição, esta acabou por perder por cerca de 7% dos votos. Segundo a Margarida Azul Lemos, a lista de continuidade “ganha sempre” porque, como os estudantes não têm comparação, preferem “votar no que já conhecem”. Maria Inês Quaresma explica que a mobilização de votos é feita principalmente junto dos caloiros, pertencentes a um “ano vulnerável” e com “interesse pessoal em ter um certificado de colaborador no NEF/AAC”.

Quanto às expectativas para o mandato que em breve se inicia, a aluna de 2º ano prevê poucas alterações, dado que “se mantém o grupo e as dinâmicas de discussão, de execução de projetos e de comunicação”. Conclui com o desejo de que o NEF/AAC seja “um órgão representativo, dinâmico e capaz de dar ferramentas aos alunos para o sucesso académico e profissional”.

Apesar do resultado “não expectável”, a recém-eleita presidente do NEF/AAC foca-se nos mais de 300 estudantes que validaram o seu projeto. No que toca ao aparente desagrado de alguns eleitores, Raquel Pires termina com a garantia de que está disponível para ouvir as suas críticas construtivas.

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