Cultura

Cuca Roseta eterniza o Fado de Coimbra em novo álbum

Afonso de Vasconcelos

Voz feminina no género musical em destaque. Fazer chegar a tradição a várias gerações e a públicos internacionais é um dos objetivos. Por Inês Reis e Afonso de Vasconcelos

Cuca Roseta juntou-se ao grupo CORDIS para criar “Coimbra Eterna”, um álbum de Fado de Coimbra composto por 14 canções. No disco, a fadista interpreta temas como “Balada da Despedida”, “Abril em Portugal” e “Vira de Coimbra”, acompanhada por Paulo Figueiredo no piano, Bruno Costa na guitarra e ainda conta com a participação de Ni Ferreirinha no baixo. O projeto foi apresentado no dia 7 de maio às 21h30 no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), e a edição digital está já disponível em todas as plataformas.

Quebrar muros intergeracionais, eternizar as músicas e levar a canção da cidade dos estudantes a públicos internacionais são os principais objetivos do novo lançamento. Segundo os artistas, o processo de criação foi “algo natural, sem qualquer ideia pré-concebida”, pelo que o projeto resulta dos concertos nos quais Cuca Roseta cantou temas da Canção de Coimbra. A intérprete realça também que o álbum “surge do amor pelo Fado de Coimbra” e é “fruto de uma caminhada longa”. 

Como pontos de destaque, Bruno Costa salienta que Cuca Roseta é “uma figura de renome nacional e internacional capaz de transportar para o mundo o que é Fado de Coimbra”. Já Ni Ferreirinha distingue a “sensibilidade” com que a fadista interpreta as canções conimbricenses e Paulo Figueiredo acentua a “originalidade e beleza” inerente ao facto de ser uma mulher a cantar este género musical. “A Cuca Roseta tem uma voz alegre, jovem e leve que consegue trazer diferença para o tradicional”, acrescenta o guitarrista. 

O grupo considera que a voz feminina se destaca como “algo que é sempre interessante e diferente” num género musical dominado por homens. Deste modo, a artista ressalta que o essencial é que “seja feito com muito amor e respeito”, mas também reconhece que é “mais difícil cantar um poema feito para um homem”. Este também foi um dos critérios para a seleção das canções que constam no disco, uma vez que a artista não consegue cantar “algo que não seja verdadeiro ou natural” para si.

O “amor pelo Fado de Coimbra” vai além deste trabalho discográfico. Em 2018, Cuca Roseta protagonizou um concerto em conjunto com os Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra (UC) e convidou o Coro Misto da UC para participar no disco “Luz de Natal”. Além disso, trabalha com o grupo CORDIS há dez anos, uma ligação fundamental para a criação deste novo projeto. 

O espetáculo de apresentação do disco pretende também assinalar o segundo aniversário da Comissão de Trabalhadores da UC e o Dia do Trabalhador, e surgiu por convite da própria Universidade. Segundo a fadista, a estreia do álbum ao vivo no TAGV faz todo o sentido, por ser um teatro emblemático da cidade.

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