Ensino Superior

Comunicado divide academia quanto à realização da serenata na Sé Velha

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COQF e DG/AAC recusam participar numa “organização de eventos em que sua legalidade esteja posta em causa”. Dux Veteranorum evidencia realização de serenata, independentemente de quem a organize. Por Catarina Duarte e  Camila Luís

No seguimento da auscultação pública, convocada pelo Conselho de Veteranos da Universidade de Coimbra – Magnum Consilium Veteranorum (MCV), no dia 30 de abril, o Conselho Diretivo da Queima das Fitas divulgou, a 2 de maio, um novo comunicado. Sob o mote “Unidos no objetivo, não na forma!”, a Comissão Organizadora da Queima das Fitas (COQF/AAC), a Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC) e o MCV expressaram que o local tradicional para “a realização da Serenata Monumental da Queima das Fitas é, e será sempre, no largo da Sé Velha”, mas respeitando as diretrizes das entidades de segurança pública.

De modo a garantir a realização de uma serenata segura para todos os estudantes, a COQF elaborou um “plano de segurança detalhado” apresentado na auscultação pública. Pedro Andrade, representante das secções culturais da AAC no Conselho Diretivo da Queima das Fitas, revela que foi o primeiro ano que se elaborou este documento. Para a sua preparação foram efetuadas várias reuniões com a Polícia de Segurança Pública (PSP), a Proteção Civil e elementos da Câmara Municipal de Coimbra.

Apesar de as recomendações das entidades terem sido seguidas, a posição da PSP foi “negativa”, o que se reflete na “pouca abertura para o diálogo” demonstrada até então, refere Pedro Andrade. O representante aponta ainda para a importância de um esforço conjunto entre as organizações competentes e o Conselho Diretivo, de maneira a aproveitar a “experiência e sabedoria” de quem já conhece esse ramo. Tendo em conta as circunstâncias atuais, o seccionista encontra-se esperançoso que a cooperação entre os dois lados se verifique e que se reúnam as condições necessárias para a execução da Serenata Monumental no largo da Sé Velha.

No recente comunicado, a COQF e a DG/AAC afirmaram não compactuar “com a organização de eventos em que a sua legalidade esteja posta em causa”. O presidente da DG/AAC, Renato Daniel, realça que não vai levar avante “qualquer evento que transcenda a lei”, e apela à comunidade académica para que não aceite uma programação que ponha em causa a sua segurança. O Dux Veteranorum, Alexandre Matias Correia, reforça que a COQF não pode realizar um evento que apresente pareceres negativos por parte das autoridades, pois é ilegal.

O presidente da DG/AAC refere que, apesar de ser da sua vontade a realização da serenata na Sé Velha, “todos têm de fazer cedências”. Assevera ainda que a Secção de Fado da AAC  deve ter “a responsabilidade” de garantir a segurança “em todos os eventos que faz”. Renato Daniel avança também que estão a ser feitos “todos os esforços”  para que o evento decorra no local tradicional, mas acima de tudo, “para que se realize a serenata”.

O Conselho Cultural, integrante do Conselho Diretivo da Queima das Fitas, optou por não subscrever o comunicado, resultante do curto prazo de apresentação de resposta. Segundo Vítor Sanfins, secretário-geral do Conselho Cultural, “o período dado para auscultar as secções culturais relativamente ao comunicado foi de cerca de uma hora e meia”, considerando-o insuficiente. Pelo contrário, o Conselho Internúcleos e o Conselho Desportivo subscrevem o documento.

O dia 15 de maio foi o prazo estabelecido no comunicado para que sejam revertidos os pareceres das entidades de segurança e dos grupos académicos da SF/AAC pois, de outra forma, a COQF vai ser “forçada a cancelar a Serenata Monumental da Queima das Fitas”. O Dux Veteranorum salienta que “não vale a pena” arranjar locais alternativos à realização do evento, pois a SF/AAC deixou claro que não vai atuar.  Conclui ainda que o facto da COQF não organizar este evento, por ausência de parecer, não invalida a ocorrência de uma serenata, à semelhança da organizada pela SF/AAC em março.

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