Cidade

Coimbra sai à rua para comemorar o Dia Internacional do Trabalhador

Francisca Costa

Manifestantes exigem melhores condições de trabalho e aumento dos salários. Jovens mostram preocupação quanto ao seu futuro profissional. Por Mafalda Adão e Francisca Costa

No dia 1 de maio, às 15 horas, a população de Coimbra reuniu-se para manifestar por reivindicações laborais. A mobilização ocorreu desde a Praça da República até à Praça 8 de Maio, enquanto os participantes gritavam palavras de ordem. O evento foi organizado pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional e pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP). A iniciativa contou também com intervenções de membros dos sindicatos e um momento musical.

Antes do começo da marcha, Vítor Fernandes e Norberto Neves, ambos estudantes na cidade de Coimbra no 1 de maio de 1974, testemunharam como se vivia nesta data: “estivemos aqui em 1974 e o intuito continua o mesmo, a luta pela liberdade e fraternidade”. As experiências vividas no Estado Novo fizeram com que ambos decidissem marcar sempre presença assídua neste tipo de eventos.

A dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Centro, Susana Lemos, defende que “este dia não é só dos sindicalistas, é de toda a população”. Acrescenta que se devem “lutar pelos direitos laborais e por melhores condições de vida e de trabalho”. Para si, estas comemorações, são “reivindicações do ano todo e homenagens a protestos antigos de trabalhadores”. 

A “solidariedade para com os trabalhadores, pelas condições laborais precárias e pelos salários baixos” foram os motivos que trouxeram Mariana Robalo, aluna de Psicologia da Universidade de Coimbra, à manifestação. A estudante, que participa nestas iniciativas desde criança, perspetiva o seu futuro profissional como “inseguro” e assume que “ser jovem nesta economia é difícil”.  

Marco António, antigo estudante de Gastronomia na Escola Superior de Educação de Coimbra, relatou que viveu más condições no seu antigo trabalho enquanto cozinheiro num restaurante. Mostrou-se preocupado com o seu futuro no país e afirmou que é necessário “mudar mentalidades e ter um povo mais literado politicamente”, sente que “o real problema dos trabalhadores estarem na miséria”, tem sido esquecido.

Ao som de palavras de ordem como: “é urgente e necessário o aumento do salário” e “maio está na rua, a luta continua” os manifestantes desceram a Avenida Sá da Bandeira. Ao chegarem à Praça 8 de Maio, membros de unidades sindicais intervieram com discursos que reivindicam melhores condições de trabalho. A coordenadora da União de Sindicatos de Coimbra, Luísa Silva, defendeu “35 horas de trabalho para todos” e o “descongelamento das progressões de carreira”.

Anabela Sotaia, integrante da CGTP, salientou que “a luta está longe de terminar” e que “cada direito conquistado foi fruto do sangue, suor e lágrimas daqueles que vieram antes”. Por fim, por volta das 17 horas, foi entoado o hino nacional, assim como músicas de intervenção.

Por Francisca Costa

To Top