Ciência & Tecnologia

UC coordena projeto para o desenvolvimento de robótica agrícola

Cedida

AIGreenBots visa otimizar uso de recursos como água e fertilizantes. Instituições de Espanha, França, Países Baixos e Reino Unido colaboram na iniciativa. Por Guilherme Borges

O projeto Artificial Intelligence and sensor-fusion systems in sustainable (Green) robotics for precision agriculture (AIGreenBots) visa desenvolver robótica e ‘machine learning’ para agricultura digital. A iniciativa é coordenada por Cristiano Premebida, professor do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (DEEC) e investigador do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

A circunstância que levou à criação do AIGreenBots foi, segundo Cristiano Premebida, a “evolução de outros projetos de menor dimensão, de âmbito nacional” que “reuniram um conjunto de pessoas e instituições”. Este programa liderado pela UC vai ter a colaboração de instituições de Espanha, França, Países Baixos e Reino Unido.

Como vantagens do projeto, o professor do DEEC realça que vai permitir aos alunos de doutoramento “receber formação e treino”. Além disso, destaca o desenvolvimento de plataformas robóticas para a agricultura de precisão, assim como de sistemas com ‘machine learning’. Cristiano Premebida exalta ainda o impacto da agricultura de precisão na sustentabilidade, na medida em que permite “otimizar a utilização de água, fertilizantes, herbicidas e pesticidas, evitando o desperdício”.

De acordo com o docente da FCTUC, o setor agrícola tem uma “média de idade elevada” e precisa de atrair empresários, produtores e trabalhadores mais jovens. Perante a dificuldade apresentada pela escassez e sazonalidade de mão de obra, o AIGreenBots tem um “impacto positivo”, ao substituir pessoas expostas a “condições precárias”, ao mesmo tempo que “mantém a quantidade e qualidade da produção”, elucida.

No futuro, Cristiano Premebida quer “formar pessoas altamente qualificadas, não só no âmbito da engenharia tecnológica, mas também em contacto com empresas e ‘living farms’ para trabalhar nesse setor”. O contacto com as ‘living farms’ é outra valência do projeto, que o investigador do ISR explica ser o “trabalho no terreno, envolvendo práticas e contacto com conhecimento que vem de produtores”.

O projeto AIGreenBots foi selecionado entre mais de 1000 submissões, cinco delas de Portugal. No momento encontra-se na fase de ‘grant agreement’, um acordo formal com a Comissão Europeia, e o arranque da iniciativa será em outubro de 2024. Com uma duração de quatro anos, vai ser financiado pelo Programa Horizonte Europa MSCA-DN, abrangendo o valor global de 2,5 milhões de euros.

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