Ensino Superior

NEFLUC/AAC promove debate sobre os desafios dos 50 anos de democracia

Pedro Cruz

Rui Tavares aborda o papel da geração atual no “reforço da democracia”. Alexandre de Sá alerta que a democracia ainda corre perigo. Por Pedro Cruz

Como encerramento das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, o Núcleo de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra da Associação Académica de Coimbra (NEFLUC/AAC) realizou no dia 9 de abril, às 14h30, no Teatro Paulo Quintela, um painel intitulado “Do 25 de Abril à atualidade: Os desafios dos 50 anos de Democracia”. A peça “O País de Abril: 50 anos de uma Revolução”, inserida na programação, foi cancelada pela falta de público. Esta vai ser remarcada para outro “momento oportuno”, segundo o coordenador da Comissão Organizadora das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril pelo NEFLUC/AAC, Nuno Miranda.

O diretor da FLUC, Albano Figueiredo, moderou o debate, que contou com a participação de Rui Tavares, João Gouveia Monteiro, Alexandre de Sá e Isabel Camisão como oradores. Nuno Miranda explica que a escolha dos convidados se deu por um “rigor científico”, e sublinha a presença de Rui Tavares, deputado da Assembleia da República, visto como uma “referência nacional”. Ressalta também que o painel teve como objetivo fazer uma análise dos últimos 50 anos de democracia, reunindo diversas opiniões, “desde os Estudos Europeus até a área de Filosofia”, exemplifica. Adiciona que o debate procurou atrair os jovens para esta prática cívica de “associar sempre a política”, como também fazer uma união entre o que se fez na revolução e o que “falta fazer”. 

Rui Tavares abriu o evento e mencionou que a geração atual tem um “grande papel no reforço da democracia”. O político também desejou que se possa comemorar mais 50 anos de liberdade e caracterizou o sistema político atual como o “mais feliz” da história de Portugal. Aproveitou para explicar que, neste momento, há uma maior possibilidade de uma educação em massa, pois, durante a ditadura salazarista, havia “barreiras sociais e culturais”.

Em seguida, João Gouveia Monteiro, professor catedrático na área de História, abordou temáticas como a falta de moradias para jovens e o crescimento da população no país. Referiu que este último ponto é uma consequência da queda da taxa de mortalidade. 

Por sua vez, Isabel Camisão, professora associada de Estudos Europeus na FLUC, reconheceu que a Revolução do 25 de Abril foi um “caminho de consolidação da democracia”. Mesmo ao pontuar que “não há democracias perfeitas” e de que Portugal está “sujeito a desafios”, a docente considera que o país está “bem colocado”.

Por fim, o coordenador do Conselho de Formação de Professores da FLUC, Alexandre de Sá, ressaltou que se vive um “momento único”, pois “cruzamos diferentes perspetivas da Revolução”. Defendeu que não deve existir uma visão “dicotómica” da realidade, uma vez que caracteriza a vida política como “complexa”. Alertou ainda que a democracia “corre risco”, pois “não sabemos moralizar conflitos”. 

To Top