Ensino Superior

Jovens discutem desafios e perspetivas em debate político

Jéssica Soares

Habitação, Ensino Superior, políticas para a educação e emigração foram algumas das temáticas abordadas. Membro do BE acredita que se deve cultivar um “apaixonamento democrático” na juventude. Por Jéssica Soares

No dia 10 de abril, ao abrigo do evento Bright Future, a sala Keynes da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra foi palco de um debate político. «Será que vivemos num país para jovens?» foi a questão que discutiram os três oradores: o presidente da Federação Distrital da Juventude Socialista, André Abraão; Andreia Galvão, membro da comissão política do Bloco de Esquerda; e João Pedro Caseiro, o militante da Juventude Social Democrata.

Depois de uma breve apresentação dos seus colegas de mesa, o moderador André Ribeiro iniciou a conversa com a problemática: “Acham que vivemos ou não num país para jovens?”. André Abraão contrapôs, questionando se “alguma vez o nosso país foi realmente para jovens”, uma vez que há uns anos atrás “se tinha de começar a trabalhar aos 13 anos por ser pobre”. Nesse sentido, o orador defende que se deve “olhar para o passado, para o presente, olhar para o tanto que já se fez, mas também para o que se pode melhorar”.

Andreia Galvão adicionou à discussão um diferente ponto de vista, perguntando “para quem é a sociedade”, visto que “os problemas que os jovens sentem são problemas que toda a sociedade sente”. A mestranda evocou ainda o problema da atual emigração desproporcional e a possibilidade de criação de um mínimo salarial europeu, de forma a “assegurar o valor do trabalho e o direito dos trabalhadores”.

Já João Pedro Caseiro defende que, “atualmente, Portugal não é um país para jovens” e que deve ser reformado. “Salários baixos, emigração altamente qualificada e jovem e população muito qualificada, que não tem sido acompanhada pela legislação laboral”, são algumas das razões que atribui para a crescente falta de vontade dos jovens de permanecer no país.

A segunda pergunta feita por André Ribeiro foi: “como é que se conjuga o governo acabar com o Ministério de Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI) e, no entanto, criar um ministério só para a juventude”. André Abraão reitera que “não se pode afirmar de forma categórica que o facto de não haver um ministério dedicado ao ensino superior não significa que não haja políticas para o ensino superior”. No entanto, mostra-se preocupado porque acredita que, dentro desse ministério, “os ministros estarão divididos entre outros focos e competências”.

Passando a palavra para Andreia Galvão, a estudante disse discordar do encerramento do MESCTI, mas espera ver a intervenção do Ministério da Juventude e Desportos. Na sua vez, João Pedro Caseiro declara que “deve existir um ministério próprio da educação e um próprio do Ensino Superior”. Ainda na sua intervenção, o estudante relembra que “o governo tem uma semana”, pelo que se deve esperar para ver a sua atuação.

Em resposta à seguinte questão sobre que medidas um governo tem de ter para reter os jovens em Portugal, André Abraão advoga que o “ponto essencial” são os salários. “Os estudantes emigram porque os salários não correspondem no investimento que se fez na educação”, completa. Para aumentar os salários, apontou ainda duas soluções: “criar mais riqueza através da aposta na qualificação do mercado de trabalho e a distribuição da riqueza”.

Já Andreia Galvão concordou que “os salários são cruciais”, fazendo a ressalva de que “não se pode impor salários médios, nem salários ao setor privado, porque não vivemos num estado totalitário”. Denuncia ainda “o aumento dos salários ao mesmo tempo que se retira o poder de compra”, pelo momento de inflação que se vive.  João Pedro Caseiro chamou à atenção para a “recetividade pela parte dos vários partidos” em relação à proposta do governo, em que se estima “uma fixação do salário mínimo para 1000 euros” em 2028.

Num último momento, os três oradores são questionados sobre a necessidade de debater sobre estes assuntos e a inclusão dos jovens nas discussões. André Abraão acredita que se devem incentivar mais debates e mesas redondas, “políticas mais de base, mais ligadas à juventude, onde toda a gente pode ter uma voz”. Ao seu lado na mesa, Andreia Galvão acredita que “os debates são muito importantes” e que se deve cultivar um “apaixonamento democrático” entre os mais jovens.

Assim, para combater o sentimento da “falta de poder”, a mestranda acredita que o sistema deve dar resposta e que a inclusão deve ser maior, porque “sem participação não há democracia”. Num último momento, João Pedro Caseiro, após concordar com os colegas, acrescenta que, “independentemente da qualificação, etnia e localidade, todas as pessoas têm direito de participar de forma democrática”, de maneira a “fortalecer a democracia e as ideias liberais” e de consciencializar para o poder do voto.

To Top