Ciência & Tecnologia

Investigação da UC conclui que invasão da acácia contribui para menor biodiversidade em zonas ribeirinhas   

Cedida

Estudo verificou tendência de maior escassez de água nos caudais de ribeiros em áreas dominadas por invasoras. Acácia mimosa apresenta-se “de difícil controlo, especialmente na margem dos rios”, explica docente da UC. Por Luísa Malva

Uma investigação liderada pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) concluiu que a presença da acácia mimosa afeta a biodiversidade de ecossistemas ribeirinhos, adjacentes a florestas da espécie invasora. O estudo verificou que a biodiversidade, definida pela presença de microrganismos e de invertebrados, em ribeiros onde as espécies invasoras dominam, é mais baixa do que naqueles albergados por flora nativa.

O estudo, coordenado por Verónica Ferreira, docente da FCTUC e investigadora no Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade de Coimbra (MARE), foi realizado durante 13 meses em seis riachos na Serra da Lousã. Três destes localizavam-se em florestas nativas, dominadas por carvalhos, castanheiros e salgueiros, e os restantes em floresta invadida pela acácia mimosa. A pesquisa foi realizada através da análise da água dos ribeiros, de modo a medir a concentração de nutrientes dissolvidos, a quantidade de oxigénio e a acidez da água. Também foram recolhidas amostras de detritos vegetais com o fim de realizar a quantificação da queda dos resíduos por metro quadrado nos dois tipos de floresta.

A docente atesta que a acácia mimosa, original da Austrália, apresenta características que a distingue das espécies nativas do centro. Segundo a investigadora, a biodiversidade de zonas ribeirinhas é dependente das áreas florestais ao seu redor. A flora nativa consiste principalmente em árvores de folha caduca, que caem durante o outono, e formam detritos vegetais “essenciais para a manutenção da biodiversidade”. Já a folha da acácia permanece verde durante todo o ano, o que diminui a presença de resíduos nos ribeiros. Desta forma, os detritos vegetais são pouco diversos. Por outro lado, “na floresta nativa, a maior variedade de matéria orgânica contribui para uma maior diversidade de organismos aquáticos”, acrescenta.

A acácia mimosa, que domina na região centro, “é de difícil controlo, especialmente na margem dos rios, devido ao declive acentuado e à longa extensão da área invadida”, explicita a professora. Explica, ainda, que durante a realização do estudo verificou que ribeiros rodeados de invasoras demonstram uma maior tendência a apresentar um caudal mais escasso durante o verão, quando comparados àqueles adjacentes à flora nativa. Ilustra que os povoamentos densos, a taxa de crescimento rápida e o facto de não ocorrer a queda da folha na acácia mimosa “implicam um grande consumo de água”.

To Top