Ensino Superior

Inundação no edifício-sede da AAC causa danos materiais

Cedida

Tempestade levou à inundação e evacuação do edifício-sede, que não é sujeito a obras profundas desde a sua fundação. Entidades responsáveis pelo edifício estão em contacto permanente com DG/AAC para resolução do problema. Por Ana Filipa Paz

Este sábado, o edifício-sede da Associação Académica de Coimbra (AAC) sofreu graves inundações, devido ao vento forte e chuvas intensas, que entraram de rompante e fizeram estragos nos vários pisos. O edifício foi evacuado por prevenção e, segundo a administração da AAC, as entidades competentes e a Universidade de Coimbra, proprietária do edificado, foram contactadas. De momento, a entrada já está aberta e a Direção-Geral da AAC (DG/AAC) está mobilizada para a reparação do problema.

Na madrugada de sábado, véspera do dia de Páscoa, estudantes e seccionistas da Rádio Universidade de Coimbra (RUC) perceberam que havia água a escorrer no terceiro piso do edifício. A Direção-Geral foi notificada e pelas 4 horas foi realizada uma vistoria com os bombeiros, que garantiram que o edifício estava em segurança. O quadro elétrico foi desligado para evitar um curto-circuito e a DG/AAC, por prevenção, pediu que evacuassem o edifício. O Bar da AAC continuou em funcionamento.

De acordo com as declarações da Universidade de Coimbra, a inundação deveu-se a “entupimentos nos sistemas de escoamento, que levaram ao acumular de água na cobertura, até a um nível em que esta entrou pelos acessos ao edifício”. O domingo de Páscoa serviu para garantir as condições necessárias de segurança para voltar a ligar a eletricidade e começar a limpeza das salas danificadas. Além da RUC, a Direção-Geral e a Secção Filatélica, entre outras secções e organismos, viram a sua sala e material danificados pela água.  

O administrador da AAC, Carlos Magalhães, confirmou que, enquanto o edifício esteve fechado, as entidades responsáveis pelo edifício e a Universidade de Coimbra estiveram junto dos estudantes a averiguar a causa dos estragos e os problemas que levaram à catástrofe. Por agora, foi adquirido material para estabilizar a situação.

Para futuro, a UC compromete-se a reforçar “os mecanismos de manutenção e limpeza, em articulação com a direção da AAC”. Estão previstas ainda obras “mais urgentes”, em fase de projeto e licenciamento, e obras “mais gerais”, de intervenção global, de requalificação e recuperação de todo o complexo edificado e jardins, com o projeto por iniciar.  

Ao contrário da informação que circula na comunicação social, a Direção-Geral garante que o edifício não está em risco de ruir e todas as intervenções feitas, face a esta inundação em particular, foram por prevenção e segurança dos associados. Ainda que admita a necessidade de reabilitação e conservação de um edifício com mais de 60 anos, Carlos Magalhães assegura que estes estragos se devem à tempestade e que a DG/AAC está a trabalhar para a sua resolução.   

Problemas que se arrastam no tempo

Os problemas da insegurança e instabilidade arquitetónica do edifício já não são recentes. Além da questão das infiltrações e humidade, existem más condições de isolamento, envelhecimento da estrutura e eletricidade e uma sucessiva deterioração da cobertura da estrutura edificada. Apesar disso, e de estar projetado para durar cerca de 50 anos, o edifício-sede da AAC nunca foi sujeito a obras profundas desde 1961, data da sua fundação.

Nos últimos 60 anos realizaram-se algumas empreitadas de reparação de questões individuais, como foi o caso mais recente da intervenção da UC, em 2022, no âmbito do projeto de reabilitação e conservação do edifício. Esta intervenção teve como principal foco as coberturas e juntas de dilatação, por onde, neste momento, está a sair água.

Em 2020, as secções culturais, uma secção desportiva e os organismos autónomos expressaram, em conferência de imprensa, a necessidade urgente de criar condições de segurança e trabalho no edifício-sede. “Trata-se de uma matéria de segurança, que ataca a dignidade e o trabalho de todos aqueles que trabalham e residem num edifício património mundial da UNESCO”, escreveu o presidente na altura da Rádio Universidade de Coimbra, Tomás Cunha, numa publicação na sua página pessoal de facebook.

Em reação à carta aberta, o reitor Amílcar Falcão desvalorizou o problema, respondendo haver “uma grande diferença entre irreverência e parvoíce”, na tomada de posse do presidente da DG/AAC vigente. A comunidade académica não pareceu concordar, tendo, cerca de três anos e meio depois, no último Fórum Cultural organizado, aprovado uma moção com o propósito de voltar a trazer a questão para cima da mesa. Definindo-o, em entrevista ao Jornal A CABRA em fevereiro, como um problema que se arrasta, mas mantém atual, o secretário-geral do Conselho Cultural, César Sousa, alerta para a urgência em arranjar novos espaços e criar melhores condições nos já existentes.

Além da má conservação do edifício, são contestadas a apropriação de espaços usados por secções da Associação Académica para trabalhos da Universidade, sem uma alternativa que sirva as necessidades dos estudantes. São exemplo as cantinas verdes e, mais recentemente, as cantinas dos grelhados. Apesar de o projeto desenhado durante o Estado Novo para este espaço conceder à Académica a responsabilidade da sua utilização, em fevereiro do ano passado a reitoria remodelou metade das cantinas para usufruto do Teatro Académico Gil Vicente.

Vive-se um ambiente de tensão, no edificado e na relação com a reitoria. São cada vez mais as demonstrações de protesto perante a falta de resposta da Universidade face à falta de espaços, deterioração das condições, envelhecimento da estrutura e falta de segurança dos residentes do edifício. O plano de reabilitação está atrasado e revela-se insuficiente, devendo este ano ser concluída a primeira fase e iniciada a segunda, de reparação das instalações sanitárias.

* https://jornalismofluc.shorthandstories.com/cortina-de-chapa/ : link de acesso à reportagem realizada sobre a remodelação de metade do espaço da cantina dos grelhados por parte da reitoria da UC

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