Ensino Superior

Inundação na AAC: Seccionistas reivindicam obras no edifício

Por Iris Jesus

José Cura, presidente da SFilatélica/AAC, teme danificação de “material (…) antigo, único, insubstituível e de valores avultados”. Interrupção da emissão RUC pode ter acarretado riscos legais para secção. Por Iris Jesus

O rescaldo da inundação no edifício-sede da Associação Académica de Coimbra (AAC), ficou marcado pelo descontentamento das secções culturais face aos danos sofridos nos seus espaços. Segundo André Ribeiro, vice-presidente da Direção-Geral da AAC (DG/AAC), durante os eventos do dia 31 de março, “as estruturas mais afetadas foram a Rádio Universidade de Coimbra (RUC) e a Secção Filatélica da AAC”. Em resposta a esta situação, a DG/AAC prepara uma reunião com a mesma entidade tutelar para esta semana, de modo a agilizar os prejuízos do incidente.

Pelas 2 horas da madrugada do dia de Páscoa, membros da RUC aperceberam-se da queda de água pelas escadas do edifício, oriunda do quinto andar. Face a isto, apressaram-se em “notificar os seguranças e informar a Direção-Geral”, relata Lexi Narovatkin, ex-presidente da estrutura. Foram avisados que, devido ao material eletrónico da rádio, podia haver risco de incêndio e, desta forma, “a porta da secção manteve-se aberta, caso fosse necessário intervir no espaço”. Apenas pelas 4 horas da manhã foi liberada a entrada dos associados no edifício. Durante o tempo das vistorias da equipa da universidade, a emissão da RUC esteve fora do ar.

A descontinuação da emissão da RUC pode acarretar riscos para a legalidade da secção, facto que se deve à pertença da mesma na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC). Esta condição obriga a que as estruturas “estejam no ar, todos os dias, de forma ininterrupta”, conta Lexi Narovatkin. No decorrer da inundação, o órgão da Casa notificou a ERC, que “foi compreensiva”, esclarece. Já no que diz respeito aos danos materiais, a ex-presidente garante que a entrada de água proveniente de uma lacuna no teto “não limitou o funcionamento” posterior da rádio. Contudo, ressalta o “clima de preocupação e insegurança” que se mantém entre a equipa.

No que toca às deteriorações materiais, a SFilatélica/AAC não se vê na mesma situação que a RUC, uma vez que as chuvas fortes danificaram “material filatélico, que é antigo, único, insubstituível e de valores avultados”, declara José Cura, presidente do órgão. O mesmo confidencia que, de momento, a sala que compõe a estrutura está limitada, porque “as mesas estão ocupadas com objetos de grande valor a secar”. A DG/AAC já entrou em contacto com a secção e garantiu levar em consideração as adversidades do espaço nas conversas com a reitoria.

Até agora, foram realizadas “várias vistorias ao edifício”, que visaram “averiguar a origem das infiltrações”, assegura o presidente da DG/AAC, Renato Daniel. As revistas concluíram que o espaço “não corre qualquer tipo de risco em termos de infraestrutura”, mas que, “é necessário impermeabilizar as áreas que ainda não foram alvo desta intervenção”, acrescenta o dirigente. Neste sentido, Renato Daniel salienta a disponibilidade da reitoria no acompanhamento da AAC. Já no que concerne a Carta Aberta emitida pela RUC, André Ribeiro admite que a DG/AAC está “sensível e cooperante” com esta e todas as estruturas da Casa, que têm também mantido contacto com o órgão dirigente.

Renato Daniel assevera que a atual preocupação da Direção-Geral é “encontrar uma solução a longo prazo, que evite a repetição deste evento”. Louva ainda as obras exteriores efetuadas em 2022, que visaram a impermeabilização de algumas áreas do edifício e, por esse motivo, “não ficaram lesadas”. André Ribeiro explica que a manutenção da Casa “tem sido uma prioridade da DG/AAC”, que reforçou o “sistema de deteção de incêndio, a higienização das casas de banho e os extintores”. Estas medidas foram efetuadas em comunicação com a UC, que, nas palavras do vice-presidente, depois dos recentes eventos, mostrou “uma preocupação agudizada”.

A ação da reitoria, em contrapartida, é alvo de críticas por parte da seccionista da RUC. Lexi Narovatkin aponta que a entidade tutelar, em conjunto com a Câmara Municipal de Coimbra, mantém uma visão “performática” perante a AAC, e que “tomam medidas apenas em prol do turismo da cidade”. Neste sentido, “espera uma posição reivindicativa e coletiva por parte das estruturas, que peça uma intervenção imediata no edifício, bem como, uma revisão dos responsáveis da UC”, atesta. Já José Cura acredita que “o histórico de adversidades na sede revela que há um problema profundo que precisa de uma solução definitiva”. Em nota final, o presidente da SFilatélica/AAC declara que “o edifício é demasiado importante para ser ignorado”.

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