Cultura

Há 50 anos a queimar o Fascismo

Ana Filipa Paz

Multidão encheu Sé Velha e pelas 0 horas queimou-se o fascismo, personificado num boneco de papel. Atuações encheram o Ateneu de Coimbra de festa e prepararam próximos 50 anos de liberdade. Por Ana Filipa Paz

Todos os anos, na madrugada de 25 de abril, a Sé Velha enche-se de festa e pelas 0 horas, ao som da senha de ordem Grândola Vila Morena, queima-se o fascismo, personificado num boneco de papel. A festa no Ateneu de Coimbra, Coletividade de Cultura e Recreio, começou antes, pelas 21h30 do dia 24, com a atuação do Grupo de Fados do Orfeão Dr. João Antunes, Grupo de Fados e Guitarradas da Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra, Grupo de Cavaquinhos “Cantares à Solta”, do Grupo Coral do Ateneu de Coimbra e de um momento de poesia. Pela meia noite, a Alta de Coimbra vibrou ao som da voz das 50 mulheres do Coro das Mulheres da Fábrica, bombos, gaitas-de-foles e ritmos latinos.

Da janela do Ateneu de Coimbra ecoaram vozes e batidas dos diferentes grupos culturais populares a subir a palco. Ainda no dia 24 de abril, com uma semana de existência, ensaiado apenas para as comemorações populares do 25 de abril, o Coral do Ateneu de Coimbra preencheu as salas do coletivo com harmonias de diferentes tons, que se conjugavam com as vozes do público.

Terminada a atuação, saíram todos à rua para derrubar o “facho”. Sofia Paulino, jovem de 20 anos natural da ilha dos Açores, conta que, em casa, “nunca tinha vivido nada assim”. A atuação do Coro das Mulheres da Fábrica emocionou a estudante, “pela forma como, com uma força e energia contagiantes, defenderam a liberdade da Mulher, cantando-a”. O grupo foi acompanhado do grupo de bombos Rebimbomálho nas escadas laterais da igreja, novidade nas comemorações este ano.

Animação não faltou entre a multidão. Cada pessoa presente na Sé Velha, tendo ou não vivido o 25 de abril, aproximou-se neste dia pela vontade comum de celebrar o marco histórico da conquista da liberdade e preservar, entre gritos de ordem e abraços reconfortantes, a luta de um povo unido.

De volta ao Ateneu, João Paulo Janicas, ator da cooperativa Bonifrates, marcou a noite com uma declamação cantada do poema “De Pé”, de José Mário Branco, fortemente elogiada. As comemorações terminaram com as atuações de Miguel Araújo e do Grupo de Etnografia e Folclore de Coimbra (GEFAC), que fizeram toda a gente levantar-se das cadeiras e dançar noite dentro.

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