Ensino Superior

Exposição dá vida aos feitos d’“Os estudantes antes e depois do 25 de Abril”

Liliana Martins

Projeto pretende realçar luta por trás das conquistas estudantis. Mostra salienta papel das repúblicas no cumprimento dos ideais de abril. Por Camila Luís e Liliana Martins

O Arquivo da Secção de Jornalismo da Associação Académica de Coimbra (SJ/AAC) e a Real República do Bota-Abaixo juntaram-se para celebrar as conquistas da antiga comunidade estudantil numa exposição cultural. Sob o lema “Os estudantes antes e depois do 25 de Abril”, a mostra abriu as portas ontem, dia 17 de abril, data em que se assinalaram os 55 anos da Crise Académica de 1969. O projeto vai receber visitas em todos os dias úteis até ao dia 1 de maio, entre as 17 e as 20 horas.

Ao entrar na República onde está sediada a exposição, encontra-se um primeiro espaço que mergulha nas lutas estudantis, espelhadas nas várias edições do Jornal Universitário de Coimbra – A CABRA. Além disso, estão também presentes cartazes alusivos à reivindicação por um ensino livre e gratuito e contra o descrédito da voz estudantil. Ainda no mesmo local, a Crise Académica de 1969 destaca-se numa composição de relatos e fotos de Alberto Martins no momento em que pediu a palavra.

No corredor é possível observar várias capas d’A Gazeta Académica e d’A Cábula, precedentes do Jornal A Cabra, que denunciavam o aumento do preço da propina. Já na sala do edifício, a exposição dedica-se à história da própria República, que faz jus à sua contribuição para os movimentos estudantis e realça o papel dos repúblicos no cumprimento dos ideais de abril. O espaço final debruça-se, sobretudo, sobre os movimentos estudantis nos anos 2000, desde a questão da propina ao papel da mulher na academia.

Os exemplares d’A CABRA, pertencentes à República, estão organizados cronologicamente para mostrar a sucessão de acontecimentos que conduziu à eleição de Seabra Santos e ao “dia mais triste da academia”, como é identificado na exposição. Esta data ficou conhecida pela intervenção da polícia de choque, a pedido do então reitor, para expulsar os estudantes de uma reunião em que se discutia a fixação do valor máximo da propina. A poesia e a literatura estão também representadas na mostra por uma compilação de textos, entre os quais se encontra uma letra da autoria de Zeca Afonso.

Segundo Joana Carvalho, coordenadora do Arquivo da SJ/AAC, a escolha do espaço surgiu da relação entre o Arquivo e a Bota-Abaixo que, segundo a estudante, “se tem vindo a intensificar nos últimos anos”. Além disso, a seccionista destaca o valor cultural do edifício: “como as repúblicas são, por si só, um museu, achámos boa ideia integrar a exposição nas paredes da casa”. Assim, acredita que a exibição pode oferecer aos visitantes uma “multitude de experiências”.

É também objetivo do projeto demonstrar à comunidade estudantil que “as conquistas feitas não foram só de cravo na mão” e que foi preciso “muita luta”, revelou a coordenadora. Joana Carvalho salienta ainda que o 25 de Abril deve ultrapassar a história e tornar-se numa “parte ativa” na vida de cada um. Segundo a estudante, o projeto em curso apresenta-se como um reflexo da evolução do Arquivo da SJ/AAC, que “cresceu no último ano”. Pontua que, de todas as exposições realizadas, esta tem um valor especial por ter como pano de fundo a celebração dos 40 anos da secção.

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