Ensino Superior

Cortejo da Queima das Fitas 2024 com o triplo das latas de cerveja

Arquivo

MCV defende que aumento desvia foco da tradição coimbrã. GE/AAC alerta para problemática ambiental. Por Leonor Viegas

O Conselho Diretivo da Comissão Organizadora da Queima das Fitas (COQF) aprovou, na semana passada, o limite de três mil latas de cerveja por cada carro no Cortejo deste ano. O dux veteranorum, Matias Correia, explica que a medida pretende responder ao pedido da Comissão Central da COQF, mas considerou a quantidade de bebida “excessiva”. Segundo o representante do Magnum Consilium Veteranorum (MCV), o aumento do número de latas face aos anos anteriores “retira o foco da celebração dos estudantes” e propaga a ideia de uma festa ligada apenas ao elevado consumo de álcool.

Segundo Matias Correia, em 2019 foi implementado um limite de mil latas por carro “de forma a tentar colmatar os excessos de lixo e de banhos de cerveja”. No entanto, conta que este ano a Comissão Central da COQF solicitou um aumento para três mil latas. Apesar de ter apresentado a proposta ao Conselho Diretivo da COQF, o MCV defende a subida apenas até às 1200 latas, esclarece o dux veteranorum. Por outro lado, o coordenador-geral da COQF, Carlos Missel, acredita que o limite apoiado pelo MCV não é o suficiente. “Os carros quase não conseguem acabar o percurso com bebida”, ilustra.

O Grupo Ecológico da Associação Académica de Coimbra (GE/AAC) não foi informado da alteração nem pela COQF, nem pela direção-geral da AAC (DG/AAC), declara a presidente da secção, Jéssica Sá. Além de acreditar no aumento significativo de lixo produzido, a representante alerta para o desperdício de bebida em banhos de cerveja, que não vai ser consumida.

Carlos Missel revela que a COQF está a tentar colocar mais postos de reciclagem ao longo do Cortejo e criar novos prémios para os carros que reciclarem mais. Por outro lado, Jéssica Sá acredita que as medidas da COQF para promover a reciclagem “não são inovadoras” e não chegam para atenuar os efeitos do aumento do número de latas. Jéssica Sá acrescenta que ainda é necessário para a secção perceber quais são os argumentos que sustentam a decisão. Informa ainda que o GE/AAC vai “tomar medidas para, no mínimo, consciencializar as pessoas das consequências deste ato de poluição”.

To Top