Ensino Superior

Comunidade estudantil quer permanência da Serenata Monumental no Largo da Sé Velha

Iris Jesus

MCV apresenta possível plano de segurança em assembleia de auscultação pública. Antigo presidente da SF/AAC sugere “evento espontâneo” caso se verifique rejeição de entidades de segurança. Por Iris Jesus

Em assembleia de auscultação à academia, convocada pelo Conselho de Veteranos da Universidade de Coimbra – Magnum Consilium Veteranorum (MCV) venceu a proposta de permanência da Serenata no Largo da Sé Velha. Esta reunião realizou-se face à recusa da Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra (SF/AAC) de se apresentar na Serenata Monumental, a 23 de maio, caso esta não aconteça na Sé Velha. Assim, pelas 18h30 do dia 30 de abril, o Auditório da Reitoria encheu-se de estudantes para debater a localização da Serenata Monumental.

A sessão teve início com a intervenção do dux veteranorum, Matias Correia, que também presidiu a mesa da assembleia. Segundo o mesmo, esta serenata pode ter de acontecer em recinto fechado, condição dada como “obrigatória” pelas entidades de segurança, que já atribuíram um parecer negativo para a realização na Sé Velha. Com efeito, Matias Correia prosseguiu a apresentar um plano de segurança, que deve implementar “seis saídas de emergência” e primar pelo esvaziamento das ruas à volta do espaço. Também consta neste plano que o evento não deve exceder as 4125 pessoas, pelo que vão ser distribuídos ecrãs gigantes por toda a zona da Alta da cidade de Coimbra. 

Seguiu-se o discurso do presidente da SF/AAC, Diogo Ferreira, que apontou a ausência do presidente da Direção-Geral da AAC, Renato Daniel, na sessão. Posteriormente, apresentou os motivos que levaram a secção que preside, a emitir um comunicado e uma petição pública com intuito de apresentar ao presidente da Assembleia da República. Para si, os estudantes reuniram-se “para votar para que Coimbra continue a ser a cidade dos estudantes”, sendo que a Serenata Monumental distingue a tradição coimbrã. Acrescentam-se as palavras do antigo presidente da SF/AAC, Pedro Andrade, que argumentou a permanência na Sé Velha, em defesa da “mística por trás do local e do fado de Coimbra”.

Em oposição às visões já veiculadas, Daniela Afonso, estudante de mestrado na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), declarou que “a serenata não é um sítio, são as pessoas que estão a assistir”, e mostrou a sua preferência por outro espaço. Como resposta a isto, Hugo Faustino, estudante da FLUC, pediu a palavra para argumentar que “já que a questão não é o sítio, então não há problema em assistir à Serenata por um dos ecrãs distribuídos pela cidade”. Já Daniel Tadeu, também membro da SF/AAC, aproveitou a sua intervenção para louvar a elevada adesão à assembleia

A sessão não terminou sem a realização de duas votações. A permanência do tradicional local da Serenata Monumental, que foi aprovada com 410 votos a favor. Já a realização deste evento no espaço referido, este ano, foi aprovada com 394 votos a favor. Em declaração de voto, Pedro Andrade sugeriu que, caso as entidades de segurança voltem a emitir um parecer negativo à vontade dos estudantes, os academistas organizem um “evento espontâneo”. Esta sugestão não passou a votação, contudo, ecoam as palavras do presidente da SF/AAC: “convido-vos a estarem presentes, dia 23 de maio, à meia-noite, no Largo da Sé Velha”.

To Top