Cidade

Coimbra sai à rua de cravo na mão para comemorar 50 anos de Liberdade

Bárbara Monteiro

De cartazes ao alto, cidadãos gritaram por direitos como paz, saúde, alimentação e educação. Marcha culminou no Pátio da Inquisição com música tradicional e alegria. Por Bárbara Monteiro

A cidade de Coimbra preencheu-se de vermelho e verde na tarde desta quinta-feira para celebrar os 50 anos do 25 de Abril com um extenso programa de atividades. O foco principal esteve na manifestação alusiva às comemorações, que reuniu cerca de 8 mil pessoas para reivindicar os seus direitos. A marcha, que teve como mote “Abril é Semente! Liberdade Sempre!”, foi dinamizada pela Comissão Organizadora das Comemorações Populares dos 50 anos do 25 de Abril em Coimbra e iniciou-se pelas 15 horas na Praça da República. Seguindo rumo ao Pátio da Inquisição, encheu a Avenida Sá da Bandeira de cravos e gritos de luta.

Foi possível ouvir-se palavras de ordem como “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais!”, “O povo unido jamais será esquecido!” e “Queremos paz, pão e o direito à habitação!”, acompanhadas de cartazes e faixas alusivas. Dos pequenos aos graúdos, os direitos humanos, a paz e a manutenção da democracia foram aspetos proclamados, do início ao fim. Nesse sentido, de cravo na mão e bandeira estendida, no meio da multidão também se fizeram ecoar gritos de revolta em solidariedade com a Palestina: “Free free Palestine!” e “Sionismo é chacina, libertem a Palestina!”.

Bárbara Monteiro

Pela rua abaixo também a Associação Académica de Coimbra marcou a sua presença. Muitos estudantes, vestidos de Capa e Batina, transportaram aos ombros um andor com uma escultura da Torre da Universidade, rodeada de cravos e balões a preto e branco.

Bárbara Monteiro

Já no Pátio da Inquisição, perto das 16 horas, foram tocadas algumas músicas alusivas à Revolução, como “E Depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, e “Grândola, Vila Morena” de José Afonso, tema cantado em coro para encerrar a manifestação. A marcha contou ainda com a atuação da Tuna Feminina da Universidade de Coimbra – AS FANS e das Mondeguinas –  tuna feminina de referência para a academia, que, através da sua voz, representaram os estudantes com os seus temas tradicionais. 

De seguida subiu ao palco o Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra, que fez os cidadãos levantarem os pés do chão e dançarem em roda ao som dos adufos, dos bombos e do reco-reco. Bicho do Mato encerraram o palco com uma performance mais intimista dirigida a um menor público, já disperso do local, dada a realização de outras atividades comemorativas na baixa conimbricense.

Bárbara Monteiro

A agenda de eventos foi promovida pela Comissão Organizadora das Comemorações Populares dos 50 anos do 25 de Abril, no qual integram 142 organizações do concelho. As 130 atividades organizadas não receberam nenhum auxílio financeiro, revela Alfredo Campos, um dos membros organizadores do programa. Este lamenta a falta de apoio, em especial por parte da Câmara Municipal de Coimbra e dos órgãos de comunicação locais, pois acredita que essa ajuda iria impulsionar ainda mais a adesão das pessoas às atividades. “A cidade teria usufruído mais e teríamos feito melhor se tivéssemos outro tipo de apoios”, confessa.

A adesão por parte da população aumentou de forma significativa, tendo em conta as manifestações de anos anteriores. Alfredo Campos revela que o número de participantes duplicou desde o ano passado e mostra-se satisfeito com os resultados: “foram cerca de 8 mil pessoas em comparação com as 3 mil anteriores”.

Bárbara Monteiro

O organizador faz ainda um apelo à comunidade estudantil para ter atenção “aos seus direitos, que lhes estão a ser retirados” e para “se mexer, mobilizar” face à sua situação. Outra integrante da Comissão, Rita Namorado, incentiva os estudantes a informarem-se sobre a história de Portugal e pede que “não deixem cair em esquecimento” o Estado Novo.

No que diz respeito ao futuro do país, as opiniões de várias gerações presentes na manifestação encontram-se. Alfredo Campos prevê um “futuro de luta e conflitos sociais” no combate ao “agudizar de ataques contra os direitos”. Beatriz, de 20 anos, acredita que a participação nestas manifestações é importante para “prevenir o que aconteceu há uns anos atrás”. Matilde, da mesma idade, considera que os resultados das últimas eleições podem resultar numa ‘wake-up call’ para a população começar a tomar decisões “com cabeça” e acredita que os cidadãos portugueses se devem informar melhor.

Bárbara Monteiro

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