Cidade

Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra sem futuro claro

Por Maria Silvia Lima

Empresa Soft Time vence concurso para requalificação do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova. CMC sugere antigo Hospital Pediátrico para organizar evento. Por Solange Francisco

O concurso para a requalificação do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova terminou com a vitória da empresa Soft Time, que já teve êxito num concurso anterior para renovar o Mosteiro do Lorvão, em Penacova. O diretor do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC), Carlos Antunes, deixa claro que a permanência da Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra – Anozero no mosteiro foi assegurada pelo caderno de encargos assinado pela entidade vencedora.

Para o também arquiteto, a questão que se coloca é se à Bienal interessa ficar nessas condições. “Eu tenho dito sempre que não”, assegura. No passado dia 9, a autarquia de Coimbra propôs relocalizar a demonstração artística para o antigo Hospital Pediátrico da cidade. Carlos Antunes descreve este plano como “uma surpresa”, já que, de acordo com a informação do próprio presidente de Câmara Municipal de Coimbra (CMC), José Manuel Silva, “o edifício é uma ruina”.

Nas palavras do diretor do CAPC, ter de deixar o monumento não é um futuro que aceite para a Bienal. Isto, uma vez que, o edifício sempre apresentou condições mínimas para acolher o evento, que recebeu 3000 pessoas na sua inauguração, e que tem vindo a ser recuperado pela organização artística nos últimos dez anos, assevera. O arquiteto considera o “Manifesto a favor do Anozero – Bienal de Coimbra”, assinado por 1600 pessoas, um “argumento poderosíssimo” para a preservação da amostra no mosteiro.

Carlos Antunes só vê um futuro no evento cultural se este permitir “dignificar a Bienal e os seus artistas”. Nesse sentido, define como missão da equipa “empoderar a presença e a importância da arte”. Deixa claro que, caso seja necessário, “a Anozero acabará com a mesma alegria com que começou”.

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