Críticas

Um épico sem grandiosidades

Por Fábio Torres

Desde o dia 14 de março que o filme A Terra Prometida, de Nikolaj Arcel, está em exibição na Casa do Cinema de Coimbra (CCC). A longa-metragem junta Mads Mikkelsen a Amanda Colin e a Simon Bennebjerg num épico sobre a tentativa de criar uma colónia dinamarquesa numa área estéril e inabitada do país.

Ao longo de pouco mais de duas horas vemos a ação quase sempre pela perspetiva do Capitão de Exército Ludvig Kahlen (Mads Mikkelsen). Este vê o seu trabalho sabotado constantemente pelo nobre Frederik De Schinkel (Simon Bennebjerg), que se sente ameaçado pelo crescimento da colónia.

A narrativa passa por várias fases e identidades: primeiro, parece ser sobre um homem nobre que acolhe fugitivos, depois torna-se um triângulo amoroso com uma mulher no meio para, mais tarde, haver dois triângulos amorosos. Apesar da confusão, o filme decide centrar-se na relação entre pessoas de passados diferentes que vêm na colónia uma nova vida (e uma nova família).

Apesar de um desenvolvimento questionável, a longa tem pernas para caminhar, especialmente pela performance de Mads Mikkelsen. Entre os vários momentos, o ator dinamarquês consegue transparecer as diferentes emoções do personagem principal e comunicar, por vezes, sem dizer uma única palavra.

A nível de performance, há que destacar também a de Simon Bennebjerg. Apesar de haver motivos simples e bastante coesos, as suas ações e o seu diálogo podiam facilmente cair no ridículo. Também como Mikkelsen, é nos momentos de pouco (ou quase nenhum) diálogo que se vê a qualidade da sua atuação.

Por fim, é de realçar o ambiente proporcionado pela imagem e pelo som do filme, que ajudam bastante nos momentos em que os atores principais não têm tanto destaque. Assim, a longa, que estreou no Festival de Cinema de Veneza e que chegou, agora, à sala da CCC merece, certamente, ser visto, ainda que não seja o melhor em exibição.

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