Cultura

“Sons da Primavera” aliou momentos musicais e discussão numa tarde alusiva à mulher

Sofia Moreira

Café Santa Cruz encheu para ouvir fado feminino conimbricense. Foram discutidos papel da mulher na academia e baixa representatividade na canção de Coimbra. Por Afonso de Vasconcelos

O evento “Sons da Primavera”, organizado pel’As Mondeguinas, teve lugar no Café Santa Cruz na tarde deste sábado, por volta das 18 horas, e encheu o espaço de amantes das tunas femininas de Coimbra. A iniciativa representou o regresso de um encontro no qual atuaram o Fado de Coimbra no Feminino, As FANS – Tuna Feminina da Universidade de Coimbra, a Tuna Feminina de Medicina da Universidade de Coimbra (TFMUC), a Estudantina Feminina de Coimbra e a tuna anfitriã. O encerramento foi marcado por um momento de tertúlia, em que convidadas e elementos da plateia discutiram temas alusivos à mulher, assunto central do encontro.

Foi ao som do poema “Tortura” de Florbela Espanca, acompanhado de coro, que as anfitriãs abriram o evento. Seguiu-se o momento do Fado de Coimbra no Feminino, no qual foram interpretados temas como “Menino d’oiro” do poeta Zeca Afonso, “Guitarrada – Canto do Rio” de Carlos Paredes e “Balada dos meus Amores” de Luiz Goes.

De seguida, numa nova alusão à temática da mulher, a tuna seguinte em concerto introduziu a sua atenção ao recitar um poema relativo aos direitos femininos. As FANS, acompanhadas de instrumentos como o bombo, o triângulo, o bandolim, a viola e o cavaquinho, cantaram “Coro de Primavera”, adaptação de Zeca Afonso, “Sinhô”, adaptação de Né Ladeiras, e o original “Último Olhar”.

O segundo conjunto a subir a palco foi a Estudantina Feminina de Coimbra, criada em 2011, em virtude da necessidade de representação feminina na Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra. Com uma interpretação ‘acapella’ do tema “Serra da Lapa” de Zeca Afonso, o grupo conquistou desde logo a atenção do público ao abordar o tema da falta de liberdade do povo português outrora oprimido. Terminaram com a música original “Tricana”, numa homenagem à mulher, e com o tema mais festivo “São João e Macelada”, acompanhado pelas palmas do público entusiasmado.

O fim de tarde, marcado pela forte presença feminina, continuou nas suas festividades com a presença da TFMUC, que começou por agradecer às mondeguinas pelo evento, ao realçar que este “honra e enaltece as mulheres das tunas femininas da cidade de Coimbra”. Iniciaram o momento com duas serenatas: “Uma Noite ao Luar”, que apresenta a perspetiva da donzela em relação ao trovador, e “Cidade e Amor” que foi acompanhado por uma dança com a bandeira da tuna. Com um solo de guitarra portuguesa e interpretação do tema “Querer Ficar”, terminaram a penúltima atuação da tarde.

O canto encerrou com a subida ao palco d’As Mondeguinas, que cativaram todo o público com uma mensagem de agrado pelo esperado regresso do evento.  “A Indignação”, um original sobre a emancipação da mulher, “Murmúrio” sobre a cidade e a saudade, e “Mondego de Emoções”, que aborda a juventude e o sentimento de ser estudante, foram os três temas escolhidos pela tuna para encerrar o cartaz. Para terminar, fizeram ainda um apelo à presença das mulheres no fado de Coimbra, e pela luta por maior representatividade.

Houve ainda um momento de tertúlia entre as diferentes convidadas, com temas relacionados ao papel da mulher na academia. Joana Carvalho, membro do Fado de Coimbra no Feminino, Catarina Oliveira, da TFMUC, Inês Costa, da Tuna Feminina do Orfeão Universitário do Porto, Camila Aveiro, da Estudantina Feminina de Coimbra, Ana Úrsula, d’As FANS e Patrícia Ferraz de Matos, fundadora das Mondeguinas, foram chamadas à discussão, bem como membros da plateia. Também houve espaço para o anúncio das vencedoras das rifas organizadas anteriormente e as mulheres presentes seguiram para um jantar, que aliou o convívio aos momentos musicais e fortaleceu os laços criados numa iniciativa que promete voltar.

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