Ensino Superior

Protesto estudantil antecipa o Dia Nacional do Estudante

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Vice-presidente da DG/AAC incentiva academia a mobilizar-se para evitar “outro cortar da palavra”. Luta unifica estudantes que visam “ver medidas implementadas”, defende. Por Camila Luís e Bárbara Monteiro, com a colaboração de Ana Filipa Paz

Este ano, no dia 24 de março, celebra-se o Dia Nacional do Estudante e o 62º aniversário da crise Académica de 1962. A comemoração desta data pretende relembrar as dificuldades que os estudantes enfrentavam na década de 60 e homenagear todos os membros da comunidade estudantil que lutaram contra a ditadura. Para comemorar este marco, várias academias ao longo do país rumaram a Lisboa, no dia 21 de março, para se manifestarem contra os preços da habitação.

Viajemos seis décadas até 1962. São várias as razões que levaram ao eclodir da primeira grande crise académica, motor de mudança do quadro social e político da época e principal impulsar daquilo que veio a ser a Revolução de Abril. A Guerra Colonial, a forte restrição das liberdades das associações académicas, o apoio à candidatura de Humberto Delgado e o contexto internacional inseguro e violento, fizeram crescer o sentimento de revolta e contestação entre os estuantes, que crescia progressivamente desde os anos ’50. Crescia a inquietação na academia, e crescia a instabilidade no país.

As forças anti-regime estavam cada vez mais presentes e mais fortes. É no dia 26 de março de 1962 que é decretado luto académico e assinalado o início da luta pelos direitos dos estudantes, ainda em vigor. Hoje, os movimentos estudantis sevem-se do exemplo de milhares de estudantes que os antecederam, responsáveis pela construção de uma história marcante e longa de reivinidcação e consciencialização dos diferentes fatores políticos e sociais que assolavam o país.

24 de março passou, então, a ser motivo de recordação de uma luta que se mantém nos dias que correm. Ao estudar os tempos de opressão que passaram, pretende-se apelar à participação e mobilização dos estudantes em prol de um modelo de educação livre e democrático. A Associação Académica de Coimbra não fica indiferente a estas causas, tendo sido um pilar basilar e emblemático na concretização e conservação desta história, primordial e indissociável da luta estudantil. Hoje, a luta continua, e também os estudantes da academia de Coimbra continuam na fila da frente a lutar por ela.

As lutas de hoje 

“Teto e habitação, um Direito à Educação”, foi o mote sob o qual a comunidade estudantil se fez ouvir na Assembleia da República, para evitar outro “cortar da palavra aos estudantes”, referiu o vice-presidente da DG/AAC, Diogo Lopes. Durante o protesto, vários líderes partidários demonstraram-se solidários para com os jovens, tendo-se juntado a eles.

A mobilização de mais de 2 mil estudantes, 250 de Coimbra, é “uma prova viva de que o movimento estudantil está unido por uma causa”, evidenciou Diogo Lopes. Acrescentou que os estudantes apresentam um papel “muito importante” para o futuro do país e que não se vão contentar “com uma simples abordagem”, pois desejam que “sejam implementadas medidas” frente às suas reivindicações.

No que diz respeito à adesão das estruturas da casa, verificou-se uma presença maior das secções culturais. Já por parte da comunidade estudantil, Guilherme Teles, um dos coordenadores do Pelouro da Ligação à Cidade e ao Antigo Estudante, mostrou-se satisfeito com o nível de adesão obtido.

Por Eduardo Neves

O Dia do Estudante pelos olhos dos alumni

O Dia Nacional do Estudante foi “uma das primeiras manifestações ousadas contra o Estado Novo”, salientou o presidente da Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra, Jorge Castilho. Embora os anos tenham passado, existem questões pelas quais se continua a lutar, iguais às anteriores. “O custo da formação, alojamento, alimentação, transportes e livros” são questões que já eram manifestadas, porém, agora “enquadram-se numa realidade diferente”, realçou.

O presidente explica também que, na época, a adesão dos estudantes a estes movimentos reunia quase toda a comunidade académica, apesar do número ser bastante reduzido em comparação com o número atual. Por fim, Jorge Castilho sublinhou que nos dias de hoje os jovens continuam a lutar pelas suas causas com “irreverência, ousadia e determinação”.

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