Cultura

Onde o Parlamento e o teatro se encontram

Iris Jesus

Oficina antecede espetáculo “Guião para um País Possível”. Partilha de preocupações entre gerações é prioridade nas sessões. Por Iris Jesus

“Parlapatório” é o nome da mais recente oficina do Teatrão. A realizar-se nos dias 5, 6, 7 e 8 de março, entre as 17 e as 19 horas, a iniciativa visa articular os conceitos de democracia e teatro, numa conversa que junta jovens entre os 15 e os 18 anos, e maiores de 65. As sessões antecedem a apresentação do espetáculo “Guião para um País Possível” de Sara Barros Leitão. Nas palavras da encenadora, o objetivo é “aquecer as mentes das pessoas para o tema da peça”.

Nestas conversas, os presentes sentam-se em disposição oval à imagem da Assembleia da República. A também atriz propõe fazer “da política um teatro e usar ferramentas de encenação para falar de democracia”. Desta forma, os intervenientes são estimulados, através de “exercícios, dinâmicas e provocações”, a partilhar inquietações e experiências de vida relacionadas com as suas visões políticas. Nestas sessões que considera serem um “ensaio da Casa da Democracia”, onde o debate significa evolução, Sara Barros Leitão pretende demonstrar que “há espaços em que a discórdia significa liberdade de pensar”.

A iniciativa já percorreu companhias de todo o país, contudo, a encenadora explica que, em muitos espaços “não foi possível mobilizar população para participar no evento”. Este é um fenómeno que associa à falta de teatros, nessas zonas, capazes de estimular as pessoas para atividades como esta. Neste sentido, elogia o trabalho “excecional” do Teatrão, que “se relaciona de forma próxima com a comunidade”, visto que, na sua passagem por Coimbra, a oficina esgotou e chegou a exceder o número de inscrições.

O espetáculo que sucede as sessões tem por base uma investigação de Sara Barros Leitão relacionada com o Diário da República. Através deles, nos dias 8 e 9 de março, no palco do Teatrão, vão ser retratados os momentos que marcaram os 50 anos da democracia em Portugal. Numa nota final sobre a importância destas conversas, explica como o teatro e a “Casa da Democracia” se aproximam: “são ambos lugares onde se aprende a escutar e a pensar de outras maneiras”.

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