Ensino Superior

Manifestação une jovens do país na luta pelos Direitos dos Estudantes

Eduardo Neves

Ao lado de estudantes de todo o país, AAC defende direito à habitação e denuncia preços avultados. Propinas e bolsas foram também temáticas revindicadas pelos cerca de dois mil estudantes presentes. Por Eduardo Neves

De capa aos ombros e cravos e cartazes na mão, a Associação Académica de Coimbra esteve presente na manifestação com o mote: “Teto e Habitação, um Direito à Educação”, marcada para o dia 21 de março, às 14h30, em Lisboa. A mobilização sucedeu-se com o objetivo de celebrar o Dia do Estudante, a ocorrer no dia 24 deste mês. Organizada entre os vários movimentos associativos e federativos estudantis nacionais, esta contou com estudantes de diversos institutos superiores e faculdades que se dirigiram à capital.

A marcha de protesto, para além do tema da habitação nacional, pautou-se também por expor outras problemáticas que afetam os alunos do Ensino Superior (ES). Propinas, bolsas e ação social foram outros temas abordados ao longo do percurso pelos cânticos e cartazes dos participantes. Outra componente bem presente foi o 25 de Abril, e a celebração das suas cinco décadas, figurado nos vários cravos empunhados pelos manifestantes.

A intervenção dos dirigentes

A mobilização, que iniciou com um atraso de uma hora, partiu da Praça D. Pedro IV em direção ao Palácio de São Bento, atual sede da Assembleia da República. Entre cartazes e faixas, os transeuntes não ficaram indiferentes à enchente de estudantes que passavam nas ruas. Já perto do destino final, passou ainda nos megafones o tema “Grândola, Vila Morena”, cimentando a componente de 25 de Abril presente no protesto. Chegados ao fim do percurso, os participantes juntaram-se para ouvir a ronda de discursos dos vários dirigentes associativos.

O presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra, Renato Daniel, afirmou estar feliz pelos cerca de “dois mil estudantes” que acompanharam a marcha de protesto. Espera também que o ES “seja uma prioridade” da nova agenda política que se acabou de formar este mês. Já Sofia Medeiros, vice-presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, elaborou sobre as várias temáticas presentes na manifestação e urgiu para a rápida resposta das mesmas. Francisco Azevedo, vice-presidente da Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa, enfatizou o problema da habitação, em especial em Lisboa, onde os alunos gastam “três quartos das despesas mensais apenas para renda”.

Pela voz dos estudantes

Para finalizar, dois dos organizadores intervieram para agradecer a todos os presentes. Foi o caso de uma das organizadoras da manifestação, que apelou à falta de condições das instituições. Desta forma, apoia a luta contra estas problemáticas: “não negociamos o futuro e queremos um Ensino Superior sem barreiras”. Guilherme Vaz, presidente da Associação de Estudantes – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, afirmou que os estudantes “estão acordados” e que esta manifestação foi prova disso. Mostrou-se também contra as privatizações e as injustiças, que, segundo o mesmo, ameaçam um ensino “público, democrático e de qualidade”. Rematou com um dos motes do protesto: “Os estudantes querem mais Abril aqui”, referindo-se ao ES.

Em entrevista com alguns participantes, Constança Barbosa, estudante de Turismo na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, afirmou que se revê na temática deste protesto. Isto deve-se ao preço da sua renda ter aumentado repetidamente e à impossibilidade de se juntar a uma residência universitária por falta de vagas. Na mesma linha, Miguel Filipe, estudante do Iscte – Instituto Universitário de Lisboa, participou em solidariedade para com os seus colegas que pagam propinas “avultadas” no instituto, bem como os preços “absurdos das rendas” na cidade. Ainda sobre a habitação, Ione Simões e Tiago Santos, estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, apontaram para a falta de condições das residências e para as “fortunas” gastas nas rendas, por vezes em “quartos partilhados”. Ambos afirmam que o Estado deverá ter um papel de ajuda neste campo.

Em jeito de balanço, Guilherme Vaz expôs que o planeamento desta atividade foi “fácil”, visto que as várias associações e federações estudantis “convergiam nos pontos principais”. Desta forma, puderam “trabalhar em unidade” e evidenciar as várias problemáticas associadas ao ES em Portugal, para além do “foco na habitação”, explica. Em suma, fez um levantamento positivo da manifestação que contou com “muita gente”.

To Top