Cidade

Juventudes partidárias em debate para as legislativas de 2024

Mafalda Adão

Representantes dos partidos discutem propostas e soluções políticas. Ensino Superior, empregabilidade, habitação e cultura são temas discutidos. Por Mafalda Adão e Solange Francisco

Os representantes das juventudes partidárias de Coimbra com assento parlamentar reuniram-se, no último dia 28 de fevereiro, no Mercado Municipal D. Pedro V, pelas 21 horas. Todos os partidos marcaram presença num debate onde procuraram discutir sobre as propostas avançadas por cada lista. 

A discussão foi organizada e moderada pelos três órgãos de comunicação da Associação Académica de Coimbra (AAC): o Jornal Universitário – A CABRA, a Rádio Universidade de Coimbra (RUC) e a Televisão da AAC. Os partidos foram representados por Daniel Azenha no Partido Socialista (PS), João Caseiro na Aliança Democrática (AD), João Antunes no CHEGA, Celso Monteiro na Iniciativa Liberal (IL), Mariana Rodrigues no Bloco de Esquerda (BE), Inês Guerreiro na Coligação Democrática Unitária (CDU), Emanuel Candeias no partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) e Miguel Santos no LIVRE.

O moderador da RUC iniciou o debate com os dados da última sondagem publicada na passada sexta-feira, dia 23 de fevereiro, pelo Centro de Estudo e Sondagens de Opinião da Universidade Católica. A sondagem mostrava a AD em primeiro lugar nas intenções de votos dos portugueses com 27%, seguida pelo PS com 22% e terminava o pódio com o CHEGA que contabilizou 13%. 

Primeiras intervenções

No início do debate, a representante do BE e o mandatário do LIVRE reforçaram a ideia de que nenhuma das duas listas tem uma juventude partidária. Miguel Santos realçou que a “sociedade deve valorizar tanto a voz de um jovem como a de qualquer outro cidadão”.

João Caseiro tem como objetivo “vencer as eleições” para fugir de um governo das “forças mais à direita”. João Antunes reforçou que o partido teve “um crescimento exponencial” como nenhum outro e que “transformou completamente o governo português”. Tanto Celso Monteiro como Inês Guerreiro deixaram claro que “as sondagens nem sempre acertam”. Emanuel Candeias não esqueceu que “com apenas uma deputada” na Assembleia da República conseguiram aprovar “mais propostas do que qualquer outro partido”.

Ensino Superior (ES) e as preocupações com a ação social

Segundo Daniel Azenha, as bolsas distribuídas aos estudantes “não servem para pagar a propina, mas sim para garantir a habitação”. A ideia da propina zero como uma forma de “eliminar esta barreira de acesso ao ES” é partilhada pela representante do BE e pela mandatária da CDU. João Caseiro, por outro lado, vê como o mais crucial nesta frente “enfrentar o problema de cuidadores informais estudantes que não têm direito a bolsa”.

Já João Antunes refletiu sobre a prioridade do partido CHEGA, que considera mais relevante “impedir que os estudantes saiam do país”. Celso Monteiro afirmou que é “contra a propina zero” mas que o valor das bolsas deve aumentar para deixar de cobrir apenas o preço das propinas. Emanuel Candeias demonstrou a necessidade de uma mudança no modelo de ensino: “devia importar também o associativismo e não só as notas”.

Empregabilidade

Mariana Rodrigues tem como medida o término dos estágios não-remunerados. Enquanto isso, Celso Monteiro afirmou que “baixar impostos é fundamental”. Por outro lado, Emanuel Candeias sublinhou a necessidade de “alargar a educação especial ao ensino superior”. Além disso, apontou a importância de “investir em empregos que sejam atrativos para os jovens”. 

Inês Guerreiro quer “35 horas de trabalho para todos” e um aumento do salário mínimo nacional em pelo menos 15%. Também nesta linha de pensamento o CHEGA quer um aumento do ordenado mínimo para 1000 euros até 2025. Miguel Santos concordou com esta necessidade mas também apresentou uma proposta de “apoio em 30% à entrada na primeira habitação”. 

Habitação

Segundo o representante do LIVRE, é necessário um maior incentivo às cooperativas de habitação. Já a mandatária da CDU insistiu num maior investimento na habitação pública. Para Daniel Azenha, o reforço da Porta 65, um programa de incentivo ao arrendamento para jovens, é necessário. Celso Monteiro discorda ao considerar a iniciativa “muito burocrática”. Mariana Rodrigues reforçou a importância do controlo de rendas e a “proibição de venda a não residentes”.

João Antunes sublinhou que as “habitações ocupadas por estrangeiros inflacionam os preços do mercado” que agrava a “situação insuportável dos sem-abrigo em Portugal”. Já João Caseiro promete melhores acessibilidades aos estudantes que se encontram afastados, além da aquisição de 15 mil novas camas. Emanuel Candeias enfatizou a importância de valorizar as repúblicas estudantis.

Cultura

Inês Guerreiro reforçou a importância da dignificação das condições de trabalho dos produtores de cultura. Para o representante do PS, é imprescindível criar mais museus regionais e “levar a cultura às pessoas”. Celso Monteiro declarou que “o primeiro passo é pôr mais dinheiro no bolso dos portugueses” para que possam desfrutar de atividades culturais. Acrescentou ainda que a “centralização da cultura no Porto e Lisboa é um problema”.

Mariana Rodrigues defendeu a “imprensa livre, estabilidade e contratos profissionais para quem cria cultura”. Tal como a AD, tem como objetivo estimular o consumo de cultura pelos jovens. Emanuel Candeias pensa ser fundamental “proibir a utilização de animais em eventos e espetáculos”, como no caso de eventos tauromáquicos.

O CHEGA e o LIVRE têm propostas bastante distintas. O primeiro afirmou que “todos os países devem ter orgulho do seu passado” e que não o devem esconder. Por outro lado, o segundo argumentou que ser patriota “é reconhecer que nem tudo o que se fez, se fez bem”. 

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