Cultura

I Encontro Leitura em Trânsito celebra António Quadros e importância das bibliotecas itinerantes

Joana Almeida

Primeira edição do evento pretende realçar valor da leitura e da sua acessibilidade. “Cada ser humano tem o poder de se transformar num livro em trânsito”, defende professor bibliotecário. Por Joana Almeida

Realizou-se hoje, dia 21 de março, o I Encontro Leitura em Trânsito: António Quadros, da Academia à Comunidade, organizado por Maria Beatriz Marques e Maria Helena Santana, docentes na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Inserido no dia mundial da poesia, este evento homenageou o centenário do nascimento de António Quadros, escritor, filósofo e um dos primeiros diretores do serviço de bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian. A curadoria esteve ao encargo de Carlos Ferreira, Rui Guedes e Bento Ramires e contou com o apoio dos estudantes do Departamento de Filosofia, Comunicação e Informação da FLUC.

A iniciativa contou com a presença de 18 bibliotecas itinerantes oriundas de norte a sul do país que, durante o período da manhã, estiveram abertas ao público no Largo da Porta Férrea. A conferência inaugural do evento ocorreu na FLUC, pelas 10h30, e esteve a cargo de Mafalda Ferro, filha do escritor e presidente da Fundação António Quadros. À tarde, o encontro contou com um colóquio sobre a vida e obra do filósofo, pelas 14h, assim como uma mesa redonda acerca da missão das bibliotecas itinerantes, por volta das 15h, no Teatro Paulo Quintela, na instituição. Ainda, deu-se a apresentação dos trabalhos desenvolvidos por estas bibliotecas no âmbito do centenário e, para terminar, pelas 16h45, foi realizado um recital de poesia, declamado pelo ator Fernando Soares.

De acordo com Maria Beatriz Marques, o objetivo é tornar esta iniciativa num evento anual, realizado no Dia Mundial da Poesia. A docente conta que a ideia para o evento surgiu aquando o seu doutoramento, ao percorrer as bibliotecas da Região Centro e encontrá-las vazias. Assim, percebeu que uma das soluções seria trazer as bibliotecas às pessoas, em vez do contrário: “sempre trabalhei no âmbito de irmos ter com os leitores”.

Adelino Saraiva, representante da biblioteca da Fundação Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional de Miranda do Corvo, explica que o objetivo da biblioteca itinerante é levar os livros a escolas, lares e creches, numa parceria com as câmaras municipais.

O responsável reforça a importância do evento para que estas bibliotecas não acabem e continuem a levar a literatura e a cultura aos “locais mais recônditos de Portugal”.

Para Maria Beatriz Marques, tanto as bibliotecas municipais como as móveis têm uma importância crucial. A docente refere que o papel da biblioteca, enquanto “espaço de inclusão, sociabilidade e afetos” é fundamental porque cria a possibilidade de sonhar e viajar através da leitura, mesmo para quem “não tem dinheiro para tal”. O seu desejo é que a UC aposte no rigor científico e na sua humanização, criando espaços de convívio. Para tal, a professora é apologista da inter e da transdisciplinaridade, afirmando que “os estudantes são a joia da coroa”.

Também Elísio Gala, professor bibliotecário no Alentejo, defende que a leitura desenvolve capacidades para enfrentar as dificuldades que a vida pode trazer que é importante os portugueses lerem para afirmar a sua identidade. “Cada ser humano tem a potencialidade de se transformar num livro em trânsito”, expressa.

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