Ensino Superior

Estudo da DG/AAC revela que 67% dos estudantes da UC pensa emigrar

Cedida por António Lopes

Baixos salários e pouca oferta de emprego entre principais motivos que levam à emigração jovem. Coordenador geral da política educativa da DG/AAC refere que objetivo é trazer temática para debate político. Por Leonor Viegas

A Direção Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC) apresentou esta manhã os resultados do estudo sobre a emigração jovem na Universidade de Coimbra (UC). O inquérito, que esteve disponível durante o mês de fevereiro, contabilizou 1272 respostas. O coordenador geral da política educativa da DG/AAC, António Lopes, esclarece que os principais objetivos da pesquisa foram averiguar o número de estudantes que querem emigrar, a que faculdades e departamentos pertencem e quais são as dificuldades que enfrentam.

As respostas ao questionário direcionado à comunidade estudantil mostram que 40% dos inquiridos pretende deixar Portugal nos próximos cinco anos. Ao analisar as faculdades, a percentagem sobe para 80% no caso da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, 73,3% na Faculdade de Economia da UC e 63,8% na Faculdade de Farmácia da UC. António Lopes acredita que na atualidade, em Portugal, as engenharias são áreas subvalorizadas. Por outro lado, nos EUA e em alguns países nórdicos existe “maior valorização profissional e melhores condições salariais”, o contribui para o aumento da taxa de emigração jovem.

Os principais motivos que levam os estudantes a tomarem a decisão de deixar o país são os baixos salários, apontado por 93% da amostra, e a pouca oferta de emprego, referida por 73,3%. Cerca de 92,5% dos jovens considera que a instabilidade financeira constitui um desafio à sua permanência em Portugal. André Ribeiro, vice-presidente da DG/AAC, considera que os resultados são assustadores.

A maioria dos estudantes vê-se incapaz de adquirir habitação própria e um em cada quatro não reúne condições para se tornar financeiramente independente nem para constituir família. André Ribeiro acredita que “a instabilidade financeira associada à habitação, às condições salariais e às ofertas de emprego precárias formam a conjuntura perfeita para que os jovens não queiram ficar em Portugal”.

Dos estudantes que pretendem emigrar, três em cada quatro pretendem regressar. André Ribeiro vê estes números como um “indicador de esperança”, mas sublinha que se os próximos governos não implementarem medidas de atratividade e de retenção dos jovens, eles não vão volta ao país. “Duvido que alguém queira sair de uma realidade onde não existem problemas de habitação e dificuldades financeiras, para regressar a uma realidade em que existem”, considera. António Lopes declara ainda que a DG/AAC “não é contra a emigração, mas sim contra a emigração forçada”.

Mais de metade dos inquiridos pertenciam à faixa etária dos 17 aos 20 anos. André Ribeiro aponta que, por estarem ainda a licenciar-se e distantes do mercado de trabalho, são uma “geração mais esperançosa”.  No entanto, são também os que apresentam mais vontade de emigrar, “o que diz muito sobre o quão pouco esperançosos os jovens portugueses estão”, comenta o vice-presidente.

A partir dos resultados do estudo, André Ribeiro refere que a DG/AAC vai apresentar propostas para solucionar o problema da habitação, da instabilidade financeira e das condições salariais. Esclarece ainda que o foco vão ser os setores da saúde, da ciência e da economia porque são as “áreas mais preocupantes”. Segundo António Lopes, o objetivo é trazer este assunto de volta ao debate político para que os partidos políticos criem propostas concretas de forma a reduzir a tendência emigratória a nível nacional.

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