Ensino Superior

É Só Letra promove tribuna pública pelo futuro dos estudantes

Bruna Fontaine

Iniciativa quer Ensino Superior mais acessível. Porta-voz acredita que “só os estudantes podem defender as conquistas de abril”. Por Bruna Fontaine

A iniciativa É Só Letra, promovida por um conjunto de estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), constituiu uma tribuna pública para discutir os problemas que afetam os estudantes da instituição. A ação teve início às 15h30 em frente à FLUC e foram abordadas questões ligadas ao Tratado de Bolonha e a obrigatoriedade de Menor para a conclusão de certos cursos de letras. Assente no lema “Propinas e Bolonha é tudo uma vergonha”, foram apresentados testemunhos de estudantes de diferentes cursos.

Diogo Curto, estudante do segundo ano de Filosofia e porta-voz da É Só Letra, clarifica a criação do movimento: “No ano passado surgiu a necessidade de promover um abaixo-assinado por causa da reprografia, que estava fechada desde a pandemia, e, por isso, começamos a unir-nos”. A vontade de lutar por algo que consideram “essencial” para os estudantes foi reafirmada após dois acontecimentos: a promessa de que a reprografia iria voltar, mas com investimento privado; e a possibilidade do bar da FLUC ter uma outra gerência.

“Começamos a fazer concentrações e abaixo-assinados para reivindicar todo que se insere na luta dos estudantes”, pontua o porta-voz. Diogo Curto admite que, mesmo assim, “há um conjunto de problemas que se mantém na FLUC e há uma maior necessidade de organização por parte dos estudantes”. Sobre a É Só Letra, tem como grande objetivo uma faculdade para todos, gratuita e de qualidade, com base no direito universal à educação. O estudante de Filosofia sublinha que, “ao falar de qualidade presume-se que seja com condições materiais, que haja tomadas nas salas da FLUC, um átrio que possibilite o convívio e um bar com preços acessíveis”.

A base da ação estudantil é por uma educação mais acessível para que “todos os estudantes tenham voz e incentivar uma gestão democrática do Ensino Superior (ES)”. Com a tribuna queriam entender melhor as opiniões de estudantes dos diferentes cursos da FLUC. “É um momento de diálogo, para perceber que embora haja ofertas pedagógicas diferentes e certos cursos estarem com o processo de Bolonha mais avançado, todos o enfrentam”, apela Diogo Curto, apontando também para a participação na Assembleia Magna que decorre hoje.

O estudante relembra as conquistas anteriores do ativismo estudantil: “só os estudantes podem defender as conquistas de abril no ES, porque foram eles que as conquistaram, com uma grande participação durante o processo revolucionário”. Defende que a luta que antecedeu o seu tempo foi o que “impediu uma situação ainda mais agravada”, e exemplifica usando o preço “ainda acessível” das refeições do bar da FLUC. “Se não estivermos presentes, ninguém vai estar para defender o ES”, reflete. Aponta os Núcleos de estudantes, as estruturas da Associação Académica de Coimbra, e as Repúblicas, como outros meios para “exprimir as dificuldades”.

Para o futuro, a É Só Letra, espera que “haja uma redução de jovens que não conseguem aceder ao ES”. Diogo Curto exalta as condicionantes desse desejo: “há um entrave financeiro e até um constrangimento em aceder ao estatuto de trabalhador-estudante”. A iniciativa quer lutar pela possibilidade de estudar sem a necessidade de trabalhar, “criar condições para que todos possam estudar se assim o desejarem”.

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