Ensino Superior

Crianças e peluches celebram os 20 anos do Hospital do Ursinho

Leonor Viegas

Iniciativa do NEM/AAC pretende desmistificar medo associado ao ambiente hospitalar. “Ursinho vai a caminho” procura chegar a crianças que não se podem deslocar a Coimbra. Por Inês Reis e Leonor Viegas

O Hospital do Ursinho, organizado pelo Núcleo de Estudantes de Medicina da Associação Académica de Coimbra (NEM/AAC), regressou a 11 de março ao Alma Shopping para a sua XX edição. O projeto sem fins lucrativos consiste na simulação de um hospital adaptado ao imaginário infantil. A iniciativa recebe crianças entre os dois e os dez anos e tem o objetivo de combater o medo dos hospitais e dos procedimentos médicos, característico destas idades.

No hospital em ponto pequeno, as crianças são convidadas a assumir o papel de pais dos seus peluches, levando-os a percorrer os vários consultórios. De acordo com a coordenadora interna do Hospital do Ursinho, Inês Laia, os mais novos devem perceber que ir ao médico “não é um bicho de sete cabeças”. Já para a Coordenadora do Departamento de Imagem e Comunicação, Marta Ribeiro, o facto de as crianças “verem que os ursinhos vão ao médico e ficam bem, faz com que não associem a ida ao hospital a algo tão negativo”.

Além de atividades relacionadas com a medicina, o projeto também inclui momentos de entretenimento dinamizados por estudantes e grupos convidados. Henrique Louro, um dos colaboradores, juntou-se a três colegas para, através da música, “deixar as crianças mais descontraídas no ambiente hospitalar, que, por vezes, consegue ser intimidante”. Com o mesmo objetivo, também são feitas atuações de dança e números de ilusionismo, algo que Marta Ribeiro considera ser “uma mais-valia para todos”.

A coordenadora geral do Hospital do Ursinho, Eva Carvalhas, realça a importância desta iniciativa para a formação dos estudantes de medicina, que até ao quinto ano de licenciatura não trabalham com pediatria. “Ter contacto desde início com as crianças permite evoluir muito em termos de comunicação e ‘soft skills’, o que acaba por ser um complemento ao nosso currículo médico”, ilustra. Henrique Louro, por exemplo, assume que nunca ponderou seguir pediatria, mas, após participar no projeto, percebeu que “não é assim tão difícil lidar com crianças”.

Fotografias por Inês Reis e Leonor Viegas

Uma das novidades desta edição é a atividade “Ursinho vai a caminho”, que tem como objetivo “colmatar os problemas relacionados com o transporte”, clarifica Eva Carvalhas. Neste sentido, o NEM/AAC levou o projeto a Condeixa-a-Nova, de modo a incluir crianças que não têm a possibilidade de se deslocar até à cidade de Coimbra. Além disso, este ano, o NEM/AAC também pretende criar condições para que o hospital seja visitado por utentes da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra.

Durante a semana, no mesmo espaço, vai decorrer uma recolha de tampinhas que vão ser doadas à Liga dos Pequeninos do Hospital Pediátrico de Coimbra. A par desta campanha, também se aceitam brinquedos e produtos de higiene. O hospital em miniatura mantém-se a funcionar até 17 de março, com turno aberto das 16h às 17h de segunda-feira a quinta-feira, das 16h às 20h na sexta-feira e durante todo dia no fim-de-semana.

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