Cidade

Coimbra manifesta-se pela valorização da Mulher

Luísa Malva

Marcha pelas mulheres visa luta contra micro-agressões sexuais, assédio, violência doméstica e disparidade salarial. “As lutas não se fazem só nas urnas, mas também nas ruas”, realça participante pela manifestação. Por Luísa Malva

Na tarde de sexta-feira, 8 de março, por volta das 17 horas, dezenas de pessoas reuniram-se na Praça 8 de Maio, para marcar o Dia Internacional da Mulher. A manifestação, organizada pela Rede 8 de Março, ambiciona a mobilização feminista para protestar contra diversas formas de violência da qual as mulheres são vítimas. “Unidas jamais serão vencidas” foi um dos motes repetidos. Além da manifestação, a rede organizou uma greve sob o lema da luta feminista contra a opressão patriarcal. A iniciativa apresenta-se como a sexta greve feminista internacional e contou com a participação de diversas cidades ao longo do país.

A marcha, que se realiza em Portugal desde 2019, pretende realçar os “problemas ainda sem solução no que diz respeito ao direito das mulheres”, explica Ana Martins, membro da organização. Sublinha a necessidade da luta contra a violência doméstica, assédio, transfobia, desigualdade salarial e as micro-agressões sexuais que mulheres sofrem no quotidiano, incluindo “a perceção da mulher como um objeto, e não como uma pessoa”. Além dos direitos referidos, a ativista salienta a interrupção voluntária da gravidez como “um direito atual, mas que se encontra em perigo devido à ascensão de partidos políticos com agendas misóginas”. Ana Martins salienta a importância do voto legislativo que tem em conta os valores do 25 de abril, “que não só cumprem os direitos das mulheres, mas de todos os cidadãos”.

Para Susy Oliveira, participante da manifestação, as mulheres dos dias de hoje devem o voto àquelas que lutaram pela democracia. “O sufrágio influencia as políticas públicas, já que um povo que escolhe um representante contra minorias pode impactar o quotidiano de muitos cidadãos”, reflete. Sara Baquissy, também presente no movimento feminista, salienta que “as lutas não se fazem só nas urnas, mas também nas ruas”.

Sofia Brás, participante da greve internacional feminista, considera importante mostrar que “o mundo para se as mulheres pararem” e enquanto grevistas no Dia da Mulher “é importante mostrar que são insubstituíveis na força de trabalho”. Ana Martins ressalta que, além da pouca acessibilidade às posições de poder, “os cargos ocupados pela mulher não são vistos como credíveis, em comparação com o homem”. A ativista realça que o feminismo abrange diversas pautas, como o antirracismo e luta contra a homofobia. O movimento realça ainda a luta ao lado das mulheres negras e da comunidade ‘queer’ que se encontra no seio do feminismo. 

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