Cultura

Casa da Cidadania e da Língua dá a conhecer “Almas Re-descobertas”

Inês Reis

Curador da CCL encara exposição como “oportunidade única para reavaliar a narrativa histórica e cultural”. Obras representam mulheres de várias áreas de conhecimento. Por Inês Reis

Até dia 15 de abril vai estar, na Casa da Cidadania e da Língua (CCL), a exposição “Almas Re-descobertas”, do artista plástico João Andrade Rebelo. Os 38 retratos são homenagens à vida e obra de mulheres da comunidade lusófona que contribuíram para a cultura e sociedade. A iniciativa enquadra-se no âmbito da celebração do mês da mulher a par com outras atividades que a CCL vai promover.

As mulheres representadas foram importantes devido às suas contribuições em várias áreas de conhecimento, desde artes, como pintura e música, ao campo científico, como a medicina e a engenharia. De acordo com o presidente da Associação Portugal Brasil 200 anos e curador da CCL, José Manuel Diogo, o principal objetivo é contar a história de mulheres que, muitas vezes, são negligenciadas em termos históricos quando comparadas aos homens. O curador sublinha que “a sociedade tem de ter uma perceção do valor e da história” destas mulheres.

José Manuel Diogo e João Andrade Rebelo não quiseram limitar-se a representar mulheres com histórias que consideram ser do conhecimento da maioria, tais como Beatriz Ângelo, Florbela Espanca e Maria de Lurdes Pintassilgo. Assim, o presidente esclarece que a exposição também tem como finalidade “construir uma memória de que há mulheres com vidas muito ricas que as pessoas não conhecem”.  Também considera que a exibição é um “contributo singelo” para a igualdade e uma “oportunidade única para reavaliar a narrativa histórica e cultural”.

Inicialmente, o artista apenas pintou nomes que conhecia da toponímia portuguesa, mas o curador quis alargar este trabalho para outros rostos da lusofonia. Assim, a exposição pretende reforçar o papel unificador da língua portuguesa, visto que há personagens brasileiras, moçambicanas e angolanas nas obras. Neste sentido, José Manuel Diogo expõe que a iniciativa “foi feita também a pensar nos imigrantes” como forma de os homenagear.

Os retratos são quadros a aguarela com relevo sobre o fundo em tela e pinturas em acrílico. Devido à utilização de relevo, o destaque da obra vai para o rosto da mulher, sendo o fundo composto por elementos que remetem para a sua vida, de forma a “pintar as mulheres nas suas condições”, como explica o presidente. “Cada quadro é uma história fácil de entender que conseguimos contar a vários públicos”, acrescenta José Manuel Diogo, que enfatiza que a exposição deve ser visitada por crianças. Finaliza com a ideia de que “estas mulheres não tiveram a justiça que precisavam ter”, mas que “a história é construída todos os dias”.

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