Cultura

 A Coimbra das cantigas deu a roda no TAGV

Bárbara Monteiro

Espetáculo permitiu dar voz “de liberdade” aos temas. Evento contou com muita animação ao ritmo da música. Por Bárbara Monteiro

O Teatro Académico de Gil Vicente encheu na quinta-feira, 14 de março, com a Orquestra Típica e Rancho (OTR) da Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra e a Big Band Rags da Tuna Académica da Universidade de Coimbra com o espetáculo “Notas do Passado, Ritmos do Presente: Jazz & Folclore Português”. Este evento, integrado na XXVI Semana Cultural da UC, deu uma nova roupagem a músicas mais antigas, algumas das quais passaram pelo 25 de abril.

A apresentação teve início às 21h36 com a banda Big Band Rags, seguida de uma breve introdução do apresentador Pedro Andrade, que deu a conhecer a duração e o que esperar do evento. A Orquestra Típica e Rancho subiu pouco tempo depois ao palco e ao ritmo dos batuques e palmas fez ecoar os temas “Camélias”, “Tuti Negra”, “Porta do Lúcio” e “Marmeiro”.

Após o rodar das saias da OTR, o foco voltou-se para os Big Band Rags. O apresentador voltou ao palco para expor um pouco mais sobre a banda. Criado em 1994, o grupo, outrora mais pequeno e em desenvolvimento, tornou-se uma ‘big band’ em 1999 e hoje possui na sua constituição 30 integrantes. A banda explora desde o ‘rock’ até ao ‘jazz’ e neste espetáculo animou o público com as músicas “Old Devil Moon”, “El Gato Triste”, “Trás Outro Amigo Também”, “”El Cubanchero”, “Sarduc” e “Proud Mary”.

Durante a execução dos temas, luzes de diversas cores dançaram entre o conjunto e a plateia. Os espectadores, guiados pelo entusiasmo e pelo maestro Luís Salgado, bateram palmas ao ritmo cada vez mais acelerado das músicas, em especial com “Proud Mary”. A atuação culminou com um aplauso do público e com o regresso do anfitrião para falar desta vez sobre a OTR.

O conjunto foi fundado em 1981 e é constituído por estudantes do Ensino Superior. O grupo tem como seu principal objetivo “manter vivas as tradições de Coimbra e os seus arrabaldes”. Segundo o apresentador, a OTR atuou diversas vezes em festivais de folclore internacionais, que os permitiu levar as tradições de Coimbra para o estangeiro. Os trajes dos elementos, típicos da região nos finais do século XIX, variam desde o estudante e da trincana até ao barqueiro e à aguadeira. As músicas que costumam apresentar nas suas atuações integram o álbum “Bate com a Chinela”.

De mão em mão e acompanhado pelos Big Band Rags, o grupo apresentou a música “Em Cadeia”. Saltaram depois para o tema “Vira de Quatro”, seguido da música “Cama Real das Canas”. Por fim, sacudiram as saias e levantaram os braços na “Carrasquinha”. Após a atuação receberam uma salva de almas, deixaram o espaço em pares e o apresentador subiu novamente ao palco para informar acerca das músicas seguintes.

Segundo o anfitrião, o tema da XXVI Semana Cultural da UC é a Voz e as canções “têm em comum o facto de lhes ter sido dado voz” que é também “de liberdade”. O primeiro tema foi a “Canção de Embalar” de Zeca Afonso e o segundo foi uma interpretação do mesmo da “popular vira de Coimbra”. A Orquestra Típica e Rancho regressou ao palco para acompanhar esses temas, numa dança mais mansa no primeiro e mais efusiva no segundo.

Após a performance, o anfitrião veio ao palco uma última vez para agradecer à Universidade de Coimbra, assim como à banda Big Band Rags, em especial ao maestro Luís Salgado, e por fim à OTR e apelou à participação do público no último tema da noite, “Grândola Vila Morena”, também de Zeca Afonso. O show terminou, assim, com os espectadores a juntarem as suas vozes com as dos músicos e a baterem todos o pé ao som da melodia.

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