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50 anos de abril, atividades mil: Coimbra celebra a liberdade

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Falta de financiamento e alcance de maior adesão para manifestação popular a 25 de abril destacados como principais desafios por parte da organização. Programa conta com peças de teatro, debates, exposições e sessões de poesia a acontecer durante próximos dois meses. Por Raquel Lucas e Eduardo Neves

A 29 de fevereiro, pelas 11 horas, a Comissão Organizadora das Comemorações Populares dos 50 anos do 25 de Abril em Coimbra realizou uma conferência de imprensa para dar a conhecer o balanço das atividades iniciadas em setembro do ano passado. A sessão aconteceu no Ateneu de Coimbra e serviu também para apresentar a programação para os meses de março e, em parte, de abril.

Alfredo Campos, membro da comissão, faz um balanço “muito positivo a todos os níveis” no que toca ao planeamento e desenrolar das atividades. O organizador conta que, numa fase inicial, o comitê possuía três grandes objetivos: atingir as cem organizações de apoio, ampliar a sua atividade a nível geográfico dentro do concelho e uma programação em fases trimestrais.

De momento, a comissão conta com cerca de 130 organizações de apoio, “conseguiu chegar a dezenas de freguesias” e possui um contacto alargado com as escolas e “as camadas mais jovens” de Coimbra, refere Alfredo Campos. O membro da comissão declara que “as expectativas, já ambiciosas, foram largamente superadas”, tanto em termos de adesão, como de expansão e visibilidade. Houve várias iniciativas direcionadas para os mais novos no sentido de “levar o 25 de abril às escolas, algo que nunca tinha sido feito até hoje” por parte da comissão, explica o organizador.

Quanto aos principais desafios, Alfredo Campos refere a programação de atividades, tanto a nível de agenda, como em relação à sobreposição com iniciativas organizadas por outras instituições no mesmo âmbito. Como mencionado, inicialmente estavam planeadas três fases trimestrais de programação: de setembro a dezembro, de janeiro a março e de abril a junho. No entanto, devido ao cariz popular e à não profissionalização dos grupos de apoio à comissão, o organizador admite “não haver condições para projetar atividades com três meses de distância”. Assim, as iniciativas de comemoração estão a ser pensadas e divulgadas a nível mensal.

Alfredo Campos faz, também, menção à falta de apoio monetário às atividades de comemoração: “funcionamos com, praticamente, financiamento zero”. Nesse sentido, é feita uma recolha de fundos entre as organizações participantes, assim como algumas iniciativas para maior angariação de meios. Em contrapartida, refere o apoio recebido por parte dos que acolhem e ajudam na realização das atividades: o Ateneu de Coimbra, os sindicatos, a Associação Académica de Coimbra, as repúblicas dos estudantes e as várias associações culturais e recreativas das demais freguesias do concelho.

De acordo com Alfredo Campos, o maior desafio prende-se com a obtenção de “uma grande mobilização para manifestação popular” a acontecer no dia 25 de abril, o “ponto alto das comemorações”. Na sua visão, esta “não é apenas um momento de celebração de tudo aquilo que abril trouxe”, mas também de defesa, afirmação e projeção desses valores para o futuro”. Desta forma, menciona a importância de uma maior adesão na marcha, não só pelo valor da “data redonda”, mas também tendo em conta os “desafios vividos a nível político”.

Alfredo Campos encara o papel do Ateneu de Coimbra enquanto organizador das comemorações pela sua “história de luta, resistência incontornável à ditadura e apoio às causas” pela liberdade. De acordo com o membro da comissão, durante muitos anos não se realizaram atividades populares relativas ao dia da liberdade, tendo sido esta instituição um “guardião simbólico para as celebrações do 25 de abril”.

A planificação de março conta já com vinte atividades, entre elas concertos, peças de teatro, debates, exposições e sessões de poesia. Ainda, vão ser realizadas atividades de cariz mais tradicional e também interventivo. Já em abril, Alfredo Campos destaca, no dia 12, um concerto e debate relacionado com música de intervenção no Conservatório de Música de Coimbra, assim como a visualização do documentário “Futebol de causas”, no dia 17, na República dos Fantasmas.

Como “pontos altos do mês” o membro da comissão realça a Queima do Fascismo, no dia 24, no Ateneu de Coimbra, assim como a supramencionada manifestação popular, que parte da Praça da República até ao Pátio da Inquisição, no dia 25. Em apelo, Alfredo Campos convida a população de Coimbra a aderir à manifestação e a juntar-se para participar nas atividades comemorativas dos próximos meses.

A divulgação das atividades organizadas pela Comissão Organizadora das Comemorações Populares dos 50 anos do 25 de Abril em Coimbra está a ser realizada através das redes sociais e a partir da comunicação social. Ainda, vão ser distribuídos panfletos, faixas e cartazes pela cidade relativos à programação e à data.  

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