Cultura

XVI Tunalidades celebra 35 anos d’As FANS

Liliana Martins

Tema do festival evocou lendas portuguesas. Atuação da tuna anfitriã enalteceu papel da mulher na tradição coimbrã. Por Camila Luís e Liliana Martins

O Tunalidades, Festival de Tunas Femininas dinamizado pel’As FANS – Tuna Feminina da Universidade de Coimbra, regressou à cidade dos estudantes com a sua XVI edição, nos dias 16 e 17 de fevereiro e marcou os 35 anos da tuna anfitriã. A concurso estiveram a Tuna Feminina do Instituto Superior Técnico (TFIST), a Estudantina Feminina de Coimbra da Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra (SF/AAC), a TunaMaria da Universidade Nova de Lisboa (UNL) e a Tun’Obebes (Tuna Feminina de Engenharia da Universidade do Minho).

Sob o mote “Lendas de Portugal”, que deu tema à edição deste ano, a noite de espetáculos arrancou pelas 20h30 do dia 17, no Teatro Académico Gil Vicente (TAGV).  Além da tuna anfitriã e dos grupos concorrentes, também a FAN-Farra Académica de Coimbra e a Estudantina Universitária de Coimbra da SF/AAC subiram ao palco para celebrar a música tradicional portuguesa.

A primeira tuna feminina a apresentar-se foi a TFIST. Iluminado pelos reflexos azuis das luzes do palco, o grupo abriu a sua atuação com o original “A Saudade”. Intercalados com momentos de declamação alusivos ao mito de D. Sebastião, seguiram-se os temas “A Fala da Mulher Sozinha” e “Ao Ritmo do Mundo”. De seguida, o grupo presenteou o público com “O padrinho”, um instrumental adaptado da banda sonora do filme ‘The Godfather’. Foi ao som de “A Júlia Florista”, uma adaptação do fado de Amália Rodrigues, que as lisboetas se despediram do XVI Tunalidades, que as recebeu pelo segundo ano consecutivo.

O festival prosseguiu com a atuação de uma tuna feminina da Casa: a Estudantina Feminina de Coimbra da SF/AAC. O grupo, que nasceu no ano de 2011 e que foi o primeiro exclusivamente feminino da secção, iniciou a sua atuação com um tema que contou com uma melodia produzida por um adufe. Como instrumental, a tuna apresentou um ‘medley’ da banda portuguesa “Dead Combo”, ao qual se seguiu um apelo à valorização da música portuguesa. Perto do fim, ouviu-se “Altinho”, que se diferenciou pelo acompanhamento sonoro de uma gaita de foles.  A participação da Estudantina Feminina terminou com o original do grupo, “Tricana”, que se destacou pela voz da solista.

Depois de um curto intervalo, foi a vez da TunaMaria da UNL de espalhar os cânticos da música portuguesa. O grupo começou por exibir um dos seus originais “Não quero chamar-lhe saudade”, e em seguida foi o momento do seu instrumental “Da Capo”. Acompanhando a solista, as estudantes deram voz à interpretação do tema “Silêncio e tanta gente”. Em alusão à lenda do Milagre das Rosas, nasce o nome do tema seguinte, “Rosa ao peito” e foi o original “Tempestade” que encerrou a atuação.

A última tuna concorrente a subir ao palco foi a Tun’Obebes. Começou por apresentar “Minha Irmã”, uma reinterpretação de “Xota de Lira”, de Xabier Diaz. “Tempos”, um instrumental ao qual se juntaram coreografias com bandeiras, foi a melodia que ecoou de seguida no TAGV. Vindas da cidade berço de Portugal, as estudantes apresentaram ainda o tema “Guimarães Preciosa”. Na categoria de adaptação, e com recurso à voz da solista, o grupo minhoto escolheu cantar “Pica do 7”, música de Miguel Araújo interpretada por António Zambujo.

A última atuação do evento foi protagonizada pelo grupo anfitrião, que “canta a alegria, a dor e o fado” e que celebrou o 35º aniversário no dia 11 de fevereiro. Em uníssono, ecoou o original “Rosas”, em referência à lenda do milagre das rosas. De seguida, uma das integrantes da tuna sublinhou que As FANS, nos dias de hoje, apresentam-se como “um grupo de mulheres que apoia a mulher na tradição coimbrã”, introduzindo-se assim a melodia seguinte, “Mondiego”. Seguiu-se o original “Fonte dos Amores” no qual as pandeiretas puderam “brilhar” e, por fim, interpretaram o seu último tema “Sonho a Preto e Branco”, que dá nome ao CD do grupo.

Findas as atuações, realizou-se a entrega dos prémios. A Estudantina Feminina de Coimbra da SF/AAC conquistou a condecoração de melhor adaptação e melhor tema original. Já o título de melhor solista e instrumental foi atribuído à Tuna’Obebes, assim como o prémio “Até depois” (melhor tuna). O galardão de melhor pandeireta foi entregue à TunaMaria e, por último, a TFIST conquistou a categoria de melhor serenata.

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