Ensino Superior

Ativismo em debate na República Solar des Kapangas

Iris Jesus

Inserção de estudantes nas lutas em foco na discussão. Ativistas criticam “representação social muito radical” do ativismo. Por Iris Jesus

A República Solar des Kapangas, a Rede 8 de Maio e o Núcleo de Sociologia da Associação Académica de Coimbra (NES/AAC), promoveram, no dia 28 de fevereiro, uma sessão de conversa sobre ativismo. Sob o mote “As Redes que nos Unem”, o momento contou com a presença de oradores dos organizadores do evento, dos movimentos Fim ao Fóssil – OCUPA!, Coimbra pela Palestina e do Porta Adentro

A sessão teve início com uma intervenção de Maria João Gonçalves, ativista do grupo Coimbra pela Palestina, que referiu a “representação social muito radical” associada ao ativismo. Sobre este assunto, a também estudante esclareceu que “todas as pessoas são ativistas”, visto que, na sua visão, debates e conversas sobre causas sociais são também uma forma de intervir. Por fim, destacou o “valor” do ativismo dentro do seio académico, acrescentando que as secções culturais da AAC são também organizações de protesto.

Seguiram-se os discursos de Leonor Silva e Lena Hertel, ativistas da Rede 8 de Março. No que diz respeito a este coletivo, Leonor Silva realçou que o objetivo é “abrigar todas as mulheres e todas as lutas”. Apelou também aos estudantes para se juntarem à greve feminista do Dia Internacional das Mulheres, convocada pelo movimento. Já Lena Hertel explicou que “o ativismo não se resume apenas ao ato de protesto” e contou a sua experiência como ativista em duas áreas geográficas diferentes, Coimbra e Alentejo. Neste último, a ação da jovem passou pela criação de cooperativas integrais e de comunidades para envolver os habitantes na discussão da crise climática na área.

A conversa concluiu-se com as intervenções de Damas Morais e Sofia Braz, ativistas dos movimentos Porta Adentro e Fim ao Fóssil – OCUPA!. O primeiro grupo é, nas palavras de Damas Morais, um “movimento pela habitação que toca em todos os eixos da sociedade”. Na sua conceção, “não há ativismo sem ideologia, nem pessoas”, e, neste sentido, convidou todos os presentes a entrar num coletivo ativista. Por outro lado, Sofia Braz enfatizou alguns feitos do movimento em que se insere. Destacou o bloqueio do Departamento de Matemática, onde conta que o grupo “deu o seu esforço físico e o seu corpo por uma causa”.

Em discussão esteve ainda o tema das redes sociais, que os jovens consideraram ser a “esperança dentro da solidão que a luta se pode tornar”, como confessa Maria João Gonçalves. Em nota final, todos os ativistas presentes concordaram que a sua ação é uma forma de ouvir, de cuidar e de respeitar os indivíduos. Nas palavras de Sofia Braz, “a luta acontece para defender o direito à vida e deve materializar-se de todas as formas possíveis”.

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