Cultura

Memórias de Abril expostas na Biblioteca Municipal de Coimbra

Leonor Viegas

Exposição integra comemorações dos 50 anos do 25 de Abril. Envolvidos no projeto ressaltam importância democrática do voto. Por Guilherme Borges e Leonor Viegas

Decorreu hoje, pelas 12h30, na Biblioteca Municipal de Coimbra, a inauguração da exposição “Ditadura, Revolução, Democracia – 25 de Abril: Rumo ao Cinquentenário”. Foi apresentado um repositório de conteúdos multimédia relativos ao Estado Novo, à Guerra Colonial, à Revolução, ao processo de descolonização e à instauração da democracia. Emílio Torrão, António Cerdeira, Clara Serrano, Sílvia Espada e José Manuel Silva evidenciaram a importância da iniciativa, que vai estar exposta até dia 28 de abril.

A mostra é constituída por 11 ‘roll-ups’, preenchidos por documentos e fotografias alusivas à história do século XX. O formato físico é complementado por ligações de ‘QR code’ para conteúdos multimédia em formato de áudio e vídeo. A exibição dispõe ainda de um conjunto de publicações periódicas relativas ao 25 de Abril e de registos que foram censurados durante o Estado Novo. Entre os artigos destacam-se álbuns de cantores que marcaram a Revolução, entre os quais José Afonso, Adriano Correia de Oliveira e Sérgio Godinho. Através do projeto, surgiu também o conceito de “artivismo”, que consiste na arte como forma de reivindicação.

A iniciativa foi promovida pela Comissão Consultiva Concelhia do Plano Nacional das Artes (PNA) e pelo Centro de Estudos Interdisciplinares (CEIS20), que assumiram a coordenação científica do projeto. O design foi desenvolvido por Carolina Remígio e Madalena Rodrigues, antigas alunas da Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC). A apresentação, desenvolvida em parceria com várias bibliotecas conimbricenses, vai percorrer diversas escolas da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM-RC), instituições do Ensino Superior, espaços museológicos e associações cívicas, recreativas e culturais. 

O objetivo da mostra é analisar e expor os acontecimentos da Ditadura, da Revolução e do período subsequente, a nível nacional e internacional. Além disso, pretende também estimular os mais jovens a uma participação ativa na vida democrática e levar a sociedade a conhecer a sua história recente. Visa ainda contribuir para uma experiência que veicule os do programa do Movimento das Forças Armadas, nomeadamente a paz, a liberdade e o progresso.

No início da conferência de imprensa, o presidente da CIM-RC, Emílio Torrão, frisou a importância da Revolução como um “marco incontornável do desenvolvimento e do progresso do país”. No âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, considerou que as últimas cinco décadas foram de “história, luta, felicidade e paz”, assim como de “crescimento e reflexão”. Com a aproximação das eleições legislativas, Emílio Torrão relembrou a importância da participação dos jovens na tomada de decisões políticas, “oportunidade trazida pelo 25 de Abril”.

De seguida, o coordenador intermunicipal do PNA, António Cerdeira, enfatizou a importância do voto para o exercício da democracia. “A cidadania conquista-se, mas só faz sentido se for exercida”, argumentou. Além disso, realçou a importância de “envolver os alunos dos mais diversos graus de ensino no processo criativo e de desenvolvimento destas atividades”.

Sílvia Espada, professora adjunta da ESEC, considera que o desenvolvimento da investigação foi “árduo e difícil”, mas que o resultado superou as expectativas. A orientadora destacou a importância de comunicar textualmente e visualmente e salientou a “convergência de várias áreas numa só exposição”.

Para o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, José Manuel Silva, a máxima da democracia é “poder expressar livremente a opinião sem ser preso ou espancado, como acontecia antes do 25 de Abril e como continua a acontecer em tantos países”. Considera ainda que, apesar de vivermos há 50 anos num “oásis de democracia”, ela não está garantida e ilustra a ideia com o exemplo da invasão da Ucrânia.

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