Ciência & Tecnologia

Investigadores de Coimbra publicam estudo sobre obesidade

Cedida por Lara Ximenes

Estudo do iCBR aprofunda perceção sobre fatores que ligam doenças metabólicas a obesidade. Novas análises continuam a ser feitas para solidificar modelo atual. Por Afonso Vasconcelos

Um estudo desenvolvido por investigadores dodo Instituto de Investigação Clínica e Biomédica da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (iCBR-FMUC) resultou na publicação de um artigo na revista Metabolism. Nesta investigação foi demonstrado que certas doenças metabólicas associadas à obesidade são antecedidas por modificações silenciosas no tecido adiposo. Segundo Paulo Matafome, investigador do mesmo instituto e professor da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTeSC) o objetivo foi “perceber quais os fatores que fazem com que existam doenças metabólicas relacionadas à obesidade”.

Na obesidade, “por um desequilíbrio calórico, nós acumulamos mais do que gastamos, o que faz com que haja um excesso de tecido adiposo”, explica o investigador. Esclarece ainda que a “plasticidade do tecido é perdida e as gorduras acabam por se acumular nos músculos ou no fígado”. Ressalva, por fim, a necessidade de “melhorar a função do tecido adiposo para prevenir todas as complicações metabólicas”.

O entrevistado ilustra que a pesquisa começou com o “isolamento do material genético de tecido adiposo”, a que sucedeu a “avaliação da expressão dos genes envolvidos em processos importantes para o tecido”. A investigação passou por “agrupar os doentes” e “perceber como é que a solução desses genes se alterava em cada um deles”, remata.

O professor da ESTeSC reconhece a importância da descoberta para o panorama da medicina, mas revela que ainda se encontram a “fazer novas análises para tornar o modelo mais robusto”. Além disso, sublinha que o estudo vem “reforçar a necessidade de se avaliaram os níveis de insulina nos doentes”, o que iria permitir um “rastreio precoce do maior risco de complicações metabólicas do individuo”.

O investigador da iCBR-FMUC relevou também que pretendem conseguir “identificar biomarcadores que dêm uma ideia mais fidedigna das alterações metabólicas precoces da obesidade”. Até agora, “o principal fator que se consegue avaliar com uma análise sanguínea a nível sistémico são os níveis de insulina”, mas “já seria uma vitória se estes começassem a ser pedidos nos cuidados de saúde primários”, confessa Paulo Matafome.

To Top