Cidade

Inês Sousa Real visita AAC

Clara Neto

Representante do PAN para Legislativas 2024 sublinhou necessidade de revisitar áreas que mais preocupam jovens. Deputada propôs receber academia de Coimbra em Assembleia da República. Por Clara Neto

A líder do PAN, Inês Sousa Real, visitou a Associação Académica de Coimbra (AAC), no dia 20 de fevereiro, para receber o caderno reivindicativo “Pelo Estudante. Pelo País.”. No seguimento da reunião com a Direção-Geral da AAC, a porta-voz partidária prestou declarações aos jornalistas às portas do edifício-sede. Nesse momento, destacou que vai levar a moção apresentada pelos academistas como prioridade para a próxima legislatura.

A deputada reconheceu que “os jovens vivem na ansiedade de não terem acesso à habitação e ao alojamento estudantil”, ao apelar ao atual Governo que esclareça, através de um despacho transparente, o acesso à habitação e apoios sociais. Além disso, discerniu as dificuldades dos estudantes deslocados a cuidados primários de saúde e os desafios da procura de emprego jovem. Sublinhou a necessidade de revisitar as componentes da inovação, da digitalização, da remuneração e dos estágios profissionais. Esta última para garantir que os estágios profissionais sejam suportados pelo IEFP. Na matéria das propinas, taxas e emolumentos, Inês Sousa Real defende uma progressividade até à gratuitidade, por serem, a seu ver, fatores diferenciadores consoante a área de estudos.

Sobre a sustentabilidade e defesa ambiental, a líder partidária confessou acompanhar, “com agrado”, o trabalho que tem sido desenvolvido pela AAC, que recordou o PAN que tem “um caminho a fazer”. Este rumo, realçado pela deputada, passa pela aposta numa “soberania energética que não ponha em causa valores ambientais”, em contraponto com o caso mencionado da exploração de lítio.

No campo do Ensino Superior, Inês Sousa Real enfatizou a necessidade de garantir mais investimento na área, uma vez que “Portugal não pode continuar a ter este subinvestimento e a depender exclusivamente das propinas ou dos fundos comunitários”. Acredita que este é um fator essencial para a continuação de “um ensino de qualidade e formação de quadros de excelência”.

A líder do PAN admitiu que o que lhe despertou a atenção no caderno reivindicativo foi a componente da Ação Social, cujo o desenvolvimento considera fundamental para responder às necessidades dos jovens que, neste momento, “passam por tantas dificuldades e até pensam em desistir dos estudos”. Evidenciou que deseja ter “um país com futuro para os jovens”, não querendo vê-los partir para o estrangeiro. Nesta reflexão, Inês Sousa Real assegurou: “é com muito carinho que olhamos para estas medidas e que deixamos também um convite para recebermos a AAC na Assembleia da República, ao fazermos desta agenda política uma prioridade”.

A deputada proferiu também que as “borlas fiscais dadas pelo Estado às grandes empresas poluidoras” ascendem na ordem dos 337 milhões de euros. Explicou, então, que estas entidades “são beneficiadas pelo Estado em detrimento, por exemplo, de um investimento nos transportes públicos”. Fora a mobilidade para as crianças e jovens, que já favorecem dos passes gratuitos, propõe uma medida que considere dois milhões de utentes. Pelas contas do PAN, esta proposta custaria ao Estado cerca de 148 milhões de euros, que “não chega sequer a metade do valor que está a financiar quem mais polui e lucra”. Destacou ainda a importância de transportes de qualidade para os estudantes, de modo a não ficarem dependentes de outro tipo de circulação. “O caminho da gratuitidade passa por aqui, por um futuro verde e jovem para o país e para Coimbra”, salientou.

Sobre possíveis entendimentos com o PS ou a AD, Inês Sousa Real respondeu que os partidos do bloco central “não têm tido assim tantas diferenças estruturais na reforma que o país precisa”. Acredita que deve haver uma mudança em matérias de habitação, acesso à saúde, economia, ambiente e proteção animal. Face a estas exigências, referiu que, neste momento, o grande compromisso do PAN é reforçar a sua representação parlamentar. Criticou, ainda, os “partidos que querem dar a mão a forças populistas anti-democráticas ou que fazem alianças com forças que põem em causa matérias como a igualdade de género, como acontece com a AD”.

No que toca à visão de Coimbra como possível área metropolitana, a líder do PAN revelou estar de acordo com “tudo aquilo que possa reforçar os direitos e o avanço do desenvolvimento da zona”. Reiterou, contudo, que não se pode ver uma transferência de competências e não de verbas, como diz ter acontecido no pacote da descentralização. Para esse caminho “não contam com o PAN”, exaltou. Em alternativa, alertou que é preciso acautelar, em primeiro lugar, um “envelope financeiro robustecido”, antes de qualquer processo de constituição de uma área metropolitana.

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