Ciência & Tecnologia

Eugénia Cunha é a primeira estrangeira a ganhar prémio americano de Antropologia Forense

Cedida por Sara Machado

Professora da Universidade de Coimbra condecorada com T. Dale Stewart Award. Diretora reflete sobre situação não ideal na equidade e igualdade de géneros na comunidade científica. Por Pedro Cruz

Distinguida com o prémio T. Dale Stewart Award na 76ª Conferência Anual da Academia Americana de Ciências Forenses – Justice For All, em Denver, nos Estados Unidos, a diretora do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses – Delegação do Sul, de Lisboa, Eugénia Cunha, é a primeira estrangeira a receber o galardão na secção de Antropologia. A investigadora menciona ser “gratificante” o reconhecimento, e expressa surpresa, uma vez que o prémio tem sido entregue somente a estadunidenses. “Achava que por ser estrangeira as chances não eram muito grandes, mas até fizeram questão de me dar os parabéns pessoalmente e reconhecer alguém de fora do país”, explica.

A professora catedrática no Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra ressalta não trabalhar para si própria nem para ser reconhecida, pois procura causar impacto social e científico com o seu trabalho. “Estou numa universidade que existe porque há alunos, e devemos focar na sua formação para os inspirar”, declara. Além disso, as investigações e projetos que desenvolve são fruto de uma ação interdisciplinar em equipa.

Eugénia Cunha sublinha a conquista do prémio como um exemplo de inspiração para todos, sobretudo para as mulheres. “Acredito que a conciliação entre a vida familiar e profissional continua a ser mais difícil para as mulheres”, expressa. “Há que criticar o porquê de isto continuar a acontecer, mas permanece como algo notório”, completa.

A diretora considera que houve alguma progressão no sentido de se alcançar equidade e igualdade entre mulheres e homens na comunidade científica e que não se sente discriminada relativamente a oportunidades, mas que a situação “não é ideal”. A autora de várias obras colaborativas, que está no top 2% de autores mais citados do mundo no campo das ciências forenses, deseja inspirar pessoas para que possam esgotar ao máximo todas as hipóteses de um determinado tema ou investigação.

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