Ciência & Tecnologia

Equipa da UC investiga tratamentos no transtorno da ansiedade ou perturbação do medo

Cedida por Catarina Ribeiro

Uso de fármacos e terapias de exposição ineficazes no tratamento da ansiedade, explica investigadora. Estudo indica que molécula TrkC melhora aprendizagem no desaparecimento das memórias de medo. Por Xavier Marques

O Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu um estudo em torno da molécula TrkC com o intuito de a utilizar no tratamento de pessoas com transtorno de ansiedade ou perturbação de pânico. A investigação “The amygdala NT3-TrkC pathway underlies inter-individual differences in fear extinction and related synaptic plasticity” foi liderada pela professora Mónica Santos, docente da instituição.

De acordo com o estudo, a molécula apresenta “uma clara relação com a ansiedade”. Possui também um papel importante na formação e na extinção das memórias de medo, patente nos indivíduos que sofrem com esta perturbação. Deste modo, a investigadora refere que a TrkC pode ser vantajosa na procura e desenvolvimento por terapias de combate à ansiedade, na medida em que atua na alteração da forma como os neurónios comunicam entre si.

Mónica Santos explica que “a prevalência de doenças relacionadas com esta perturbação aumentou desde a pandemia”. Nesse sentido, a procura por soluções passa por “duas grandes abordagens”. São estas o uso de fármacos como os ansiolíticos e os antidepressivos e o uso de terapias não farmacológicas, conhecidas como terapias de exposição.

A investigadora defende que a primeira opção não tem resultados notórios, apesar de possuir uma ampla abrangência em termos de atuação. Também as terapias de exposição convencionais, baseadas em “mecanismos de extinção do medo, não são 100% eficazes no tratamento destes problemas de saúde”, elabora. Ao virar o foco para os benefícios da TrkC, Mónica Santos aponta para a sua conjugação com este tipo de terapias, no sentido em que o processo de aprendizagem na extinção do medo se torna mais eficiente.

Este projeto de estudo compreendeu-se entre abril de 2019 e dezembro do último ano e contou com o apoio do Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia. Em termos de financiamento, foi suportado pela Fundação Bial e contou com a participação de investigadores da Faculdade de Medicina da UC e do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC. Contou, ainda, com a participação de um docente da Universidade do País Basco.

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