Cultura

Colégio das Artes atravessa o Atlântico com exposição de arte indígena brasileira

Luísa Malva

Denilson Baniwa explora consequências da monocultura no estilo de vida dos povos nativos. “Estamos vivos, apesar do roubo, da violência e da história da arte”, destaca. Por Luísa Malva e Inês Reis

O Colégio das Artes da Universidade de Coimbra (UC) apresenta uma exposição do artista contemporâneo, Denilson Baniwa, intitulada Pajé Jaguar. A exposição conta com diversas linguagens artísticas, que incluem performance, vídeo e fotografia. As obras de arte exploram a identidade indígena do Brasil, com foco no povo Baniwa, do qual o artista faz parte. A exposição enquadra-se no âmbito do seminário Monoculturas: Perspetivas Eco-culturais dinamizado pelo Centro de Estudos Sociais da UC. 

A exibição aborda as consequências que a monocultura em grande escala tem no estilo de vida dos povos nativos, uma vez que esta prática destrói os ecossistemas essenciais ao seu quotidiano. Nelson Ricardo Martins, curador da exposição e doutorando no Colégio das Artes, considera que “é através das artes contemporâneas que se debatem questões importantes como a igualdade social e a ecologia”. O curador sublinha a arte como meio de sensibilização para a existência de outras realidades: “suscita um diálogo mais intenso com a vida, transforma pessoas e cria outras possibilidades”, acrescenta. 

A carreira do artista visual Denilson Baniwa foca-se na invisibilidade da arte indígena. Além de ilustrador, designer e curador, Denilson também é ativista político pelo Movimento Indígena no Brasil, algo que transparece nas obras que faz. Denilson espelha as suas raízes étnicas com a exploração de uma identidade nativa própria construída pelo nativo e não pelo colonizador: “estamos vivos, apesar do roubo, da violência e da história da arte”. 

Ao reconhecer que os alunos da UC não tendem a participar em iniciativas artísticas com grande regularidade, Nelson Ricardo Martins apela para a participação da comunidade académica. O curador acredita que as exposições de arte são uma forma de capacitar o público para observar realidades contemporâneas distantes, mas atuais, que alteram a perceção do mundo e dos outros. A exibição encontra-se na Sala de Provas Públicas do Colégio das Artes até dia 15 de março e é direcionada a qualquer faixa etária: “pode impactar a vida de todos, desde crianças a idosos”, convida o doutorando. 

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