Cidade

CMJC retoma discussão sobre crise de habitação em Coimbra

Marta Tavares

Jovens conimbricenses consideram que transportes urbanos e habitação sofrem problemas urgentes. “Coimbra é recordista em casas vazias”, atesta Bruno Pedrosa, representante do partido LIVRE. Por Iris Jesus e Marta Tavares

O Conselho Municipal da Juventude de Coimbra (CMJC) foi, mais uma vez, palco de debate aberto sobre a habitação na cidade. Com realização na Sala Polivalente Silva Dias da Casa Municipal da Cultura, a sessão do dia 3 de fevereiro teve o seu início efetivo pelas 15h. Assemelhando-se às anteriores, a convocatória propôs a discussão dos temas que afligem as diversas associações juvenis e juventudes partidárias do concelho.

Como previsto na ordem de trabalhos, o Conselho começou com uma intervenção do vereador do Pelouro da Juventude, Carlos Matias Lopes, que, na condição de presidente da Mesa do CMJC, considerou a presença dos jovens “motivante”. O seu discurso louvou os eventos promovidos para os jovens pela Câmara Municipal de Coimbra (CMC) para 2024, onde destacou o Encontro Nacional de Jornalismo Universitário, a realizar-se nos dias 22, 23 e 24 de março. Acrescentou um apelo para o envolvimento da população juvenil na celebração dos 50 anos do 25 de abril e para a denúncia de atos de vandalismo na cidade, dando o exemplo do recém-criado ‘skatepark’, que tem sido alvo destes ataques.

Seguiu-se o discurso do presidente da Comissão Permanente do CMJC, Daniel Aragão, que realçou a “força que a estrutura tem ganho nos últimos tempos”. A estas palavras, juntou a sua preocupação com a “crescente” emigração jovem e desafiou a CMC a propor soluções para a fixação destas pessoas em Coimbra. Finalizou a sua intervenção com um voto de solidariedade para com os agricultores da cidade que, ao longo dos últimos dias, se têm manifestado. De seguida, Celeste Moura, representante do Instituto Português do Desporto e da Juventude, pediu a palavra para fazer um apelo a todos os presentes para o envolvimento nas atividades promovidas por este órgão.

Após estas intervenções, procedeu-se à votação da ata referente ao último conselho, que foi aprovada com dezasseis abstenções, não verificando votos contra. Como constava na ordem de trabalhos, no momento posterior realizou-se a eleição do representante do CMJC para o Conselho Intermunicipal da Rede Intermunicipal da Juventude da Região de Coimbra. Em votação, foi decidido por unanimidade atribuir o cargo a Daniel Aragão, com Pedro Santos como seu suplente.

Miguel Fonseca, vereador da CMC pelo Pelouro de Empreendedorismo, Investimento e Emprego, interveio no sentido de desmistificar conceitos para posterior debate. Iniciou-se com uma breve apresentação do Orçamento Municipal para 2024, clarificando o significado do Imposto Municipal de Imóveis e do Imposto da Mobilidade e dos Transportes. Para terminar esta exposição, o representante fez duas questões ao público, referentes aos investimentos urgentes que a CMC deve efetuar para resolver os problemas da cidade e fixar a população jovem. As respostas predominantes diziam respeito ao associativismo jovem, à reforma dos meios de transportes urbanos, à habitação, à recuperação das áres degradadas da cidade e ao investimento na criação de empregabilidade no concelho.

Este momento suscitou o início de um debate entre os presentes. Em resposta às perguntas que surgiram sobre a habitação dos jovens universitários, Miguel Fonseca argumentou que as decisões referentes a este tema são tomadas pelos órgãos de decisão nacional, que “têm demorado na resposta a esta urgência”. Não obstante, o vereador assegura que as propostas da autarquia têm como foco a habitação social, o arrendamento acessível e a criação de condições para o aumento da oferta. Sobre esta questão, Pedro Almeida, representante da Associação Sócrates Erasmus Universidade de Coimbra, apelou à consideração dos estudantes internacionais nestas decisões.

Neste sentido, Bruno Pedrosa, em representação do partido LIVRE, sugeriu a colaboração da CMC com as cooperativas de habitação da cidade para o aumento da oferta, acrescentando que “Coimbra é recordista em casas vazias”. Em resposta, Miguel Fonseca informou que a identificação destes espaços tem sido “difícil”. Já Carlos Matias Lopes levantou o assunto das repúblicas universitárias, assegurando a criação de um regulamento para mais camas e melhores condições. Por fim, Daniel Aragão trouxe para discussão o tema dos impostos para jovens que se fixem na cidade, ao que Miguel Fonseca assegurou que o município pretende “apostar numa política fiscal mais amiga da população juvenil”.

Em entrevista, o vereador Carlos Matias Lopes louvou a média de participação do Conselho “que rondou os 90%”. Este fator é também evidenciado por Daniel Aragão, que acrescentou que “o investimento feito no apoio às associações jovens é um fator âncora para uma sala cheia”. Segundo o mesmo, o CMJC dota-as de “uma voz para sugerir, questionar, inquirir e informar-se” sobre as questões do quotidiano da cidade e argumenta ainda sobre a “importância da presença da comunicação social” no CMJC. Numa nota final, Carlos Matias Lopes refere que o foco do CMJC recai sob “não deixar passar oportunidades e fazer acontecer”.

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