Ensino Superior

Círculo eleitoral por Coimbra apresenta propostas à juventude

Catarina Duarte

Minuto de silêncio em homenagem a Artur Jorge antecedeu discussão. Crise habitacional e importância da educação foram temas de destaque. Por Catarina Duarte

O Núcleo de Estudantes de Direito da Associação Académica de Coimbra (NED/AAC) promoveu, no dia 22 de fevereiro, pelas 15 horas, um debate político no âmbito das próximas eleições legislativas, no Auditório da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (FDUC). O evento dirigiu-se às comunidades mais jovens e contou com a participação dos representantes do círculo eleitoral por Coimbra: Fernando Teixeira pela Coligação Democrática Unitária (CDU), Eduardo Figueiredo pelo Bloco de Esquerda (BE), Bruno Pedrosa pelo Livre, Pedro Coimbra pelo Partido Socialista (PS), João Fontes da Costa pelo PAN, Martim Syder pela Aliança Democrática (AD) e Celso Monteiro pela Iniciativa Liberal (IL). A discussão contou, ainda, com a moderação de Manuel Alegre Portugal, jornalista da CNN.

Antes de se dar início à sessão, o presidente do NED/AAC, Francisco Dinis, forneceu um esclarecimento a respeito da ausência de representante do Partido CHEGA no debate. O órgão, alinhado ao comunicado da AAC de discordância face às medidas contra a igualdade de género defendidas por André Ventura, líder do partido, justifica a sua exclusão pelo “discurso populista e antidemocrático que tem vindo a promover”.

A discussão abriu com um minuto de silêncio dedicado a Artur Jorge, antigo jogador e treinador da Académica. De seguida, o debate firmou-se em vários pontos chave direcionados aos estudantes da UC. Entre eles destacam-se as conversas acerca dos custos da habitação, do aumento da discriminação no meio académico e do investimento na cultura.

Educação, trabalho e crise habitacional

Após uma breve apresentação dos representantes ao público, Manuel Alegre Portugal arrancou a conversa com o tema da valorização da educação com um apelo ao parecer dos partidos presentes. Posto isto, o CDU, o BE e o Livre destacaram a precariedade de contratos de trabalho em Portugal. De acordo com Fernando Teixeira, esta é uma justificação para a elevada taxa de emigração jovem, assim como “os salários pouco atrativos”.

De modo a motivar e valorizar o trabalho dos profissionais do país, a CDU defende o aumento tanto do salário mínimo, para 1000 euros, como o do salário médio. Salvaguarda ainda que esta mudança vai incentivar os jovens a procurarem emprego em Portugal e ajudá-los a pagar a habitação. O representante da CDU destacou que as rendas elevadas figuram como uma das principais causas de abandono escolar, algo que “tem de ser alterado”.

De forma a lutar contra a crise habitacional estudantil, os membros do PS e da IL acreditam que é imperativo construírem-se mais residências, o que leva à expansão do mercado de oferta e, por consequência, à baixa de preços. Martim Syder (AD) concorda e adiciona que, “já que o Estado trava a construção destes edifícios de forma pública, construí-los através de firmas privadas pode ser a solução”.

Propina e custo de vida estudantil

Foi opinião unânime entre os partidos que a busca e valorização de uma educação mais especializada são essenciais. Para os membros do Livre e da AD, tal pode levar a um aumento de oferta educativa e proporcionar o efeito de “elevador social”. Já o PS defende a redução do valor das propinas e, eventualmente, a devolução total do montante. Os representantes do CDU e do BE acreditam que a propina se apresenta apenas como um entrave à promoção de igualdade de oportunidades entre estudantes.

O BE pretende criar medidas para a abolição da propina de forma a cancelar a dívida estudantil por completo, assim como oferecer apoios extra a estudantes internacionais, com maior destaque aos estudantes provenientes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. Contudo, para o representante da IL, Celso Monteiro, “os custos que os estudantes têm vão muito além da propina”, exemplificando com a questão dos transportes: “apesar de apoiar a iniciativa dos passes de autocarro e comboio grátis até aos 23 anos, grande parte da população estudante é mais velha”. O jovem concluiu a sua intervenção ao referir que o objetivo da IL “não é acabar com o Estado, mas fazer com que este cumpra a sua função”.

Cultura e sociedade

Terminado o debate e aberta a discussão ao público, foi apresentado por um membro da audiência o tema do crescimento da xenofobia e discriminação racial dentro do meio académico nos últimos anos. O espectador referiu, ainda, que estas disparidades apresentam obstáculos para a obtenção de alojamento e integração estudantil. Nesse sentido, o BE tenciona formular propostas concretas de forma a combater o preconceito e a desigualdade, tal como o PAN, que aponta a urgente necessidade de desconstruir o racismo estrutural.

No âmbito da cultura, a IL manifestou o interesse na sua descentralização. Já a CDU apontou o problema da precariedade nos círculos culturais e o PAN chamou a atenção para um maior investimento no ensino artístico. Contudo, João Fontes da Costa frisou a importância da desvinculação da tauromaquia como prática cultural, apelando ao seu fim. Noutra perspetiva, a AD defende o apoio à cultura de modo a preservar a identidade e tradições do país. O BE e o Livre propõem um investimento de 1% do valor do Produto Interno Bruto para o mesmo setor com o objetivo de aproximar os cidadãos e melhorar os seus acessos.

O debate deu-se por terminado por volta das 18 horas com um pedido de sensibilização por parte dos membros partidários. Deste modo, incentivaram os espectadores a deslocarem-se às urnas a 10 de março e exercerem o seu direito de voto.

To Top