Cidade

Boletim + estuda perceção de votantes sobre políticas migratórias

Cedida por Mafalda Azevedo

Relatório final quer dar a conhecer os partidos portugueses “na perspetiva das políticas migratórias”. Sensibilizar para questões humanitárias e incentivar voto consciente são bandeiras da organização. Por Bruna Fontaine

As eleições legislativas que decorrem no próximo mês movem a iniciativa Boletim +, pensada pela a organização ‘Humanity on the Move’ (HOM). Esta ação projetada pela instituição procura estender os  seus pilares à época eleitoral onde mergulha Portugal. Tendo como resultados finais a realização de um relatório sobre as propostas migratórias de cada partido e de inquéritos à população, o Boletim + quer sensibilizar o eleitorado neste tema para uma maior consciencialização no momento do voto.

A HOM foi fundada em abril de 2021 em resposta à crescente hostilidade para com refugiados e emigrantes. Sob a esperança de uma “humanidade sem fronteiras” , esta instituição procura capacitar e defender as populações deslocadas, com o apoio de uma rede de voluntários, composta por jovens estudantes e trabalhadores espalhados por todo o país, e ainda através de projetos multidimensionais. A nova aposta da HOM, o Boletim +, surge da crença que “no dia 10 de março, ao ir votar, tem-se nas mãos muito mais do que um boletim”, revela Mafalda Azevedo, coordenadora do departamento de advocacia da HOM.

Sobre a iniciativa, a coordenadora explica que “passa pela análise das propostas e dos programas eleitorais de todos os partidos políticos com assento na Assembleia da República”. O relatório será o resultado final que sumariza o trabalho “na perspetiva das políticas migratórias”, acrescenta. O Boletim + debruça-se no meio da investigação com um inquérito presencial e online que, até à data, tem 49 respostas, e continua nas plataformas da HOM. “Perceber se ao votar consideram ou não as políticas migratórias e se pensam nas pessoas refugiadas e nas pessoas migrantes” é o principal objetivo do inquérito, sublinha Mafalda Azevedo.

As perguntas que também passaram pelas ruas do Porto, trabalham a opinião popular sobre quais partidos abordam as questões de migração de forma mais positiva ou negativa. A coordenadora conta que “presencialmente muitas pessoas disseram que não tinham uma opinião formada sobre o assunto ou não era da sua área de interesse, e é aqui que a HOM pode agir”. Nos dois dias em que foi lançado, “85% das pessoas têm em conta as questões migratórias no momento de voto, enquanto 73% das pessoas consideram refugiados e imigrantes”, aponta.

Mafalda Azevedo reflete que “a HOM não conhece a opinião das pessoas num cenário de guerra na Ucrânia e na Faixa de Gaza”. No entanto, denota que “que a receção dos migrantes ucraniamos, que foi mais acolhedora e menos burocrática, é preciso replicar para refugiados de outros conflitos”. Alerta ainda para a importância de envolver a comunidade académica na discussão dos resultados.

Outras questões que se inserem no relatório ainda estão pendentes. “Os debates começaram esta semana e ainda há partidos que não lançaram o seu programa eleitoral, o que dificulta um balanço geral a apresentar no relatório”, explica a voluntária da HOM.

Segundo os resultados apreendidos, “as forças políticas que são vistas de forma positiva ao falar das questões migratórias são o Bloco de Esquerda, com 32%, 16% com o Partido Livre, e 12% com o Partido Socialista”, informa a coordenadora. No lado negativo da questão, os inquiridos consideram que “o Partido Chega marca a maioria com 87%, seguido do Partido Socialista com 8%”, expõe ainda. “Estes resultados são simbólicos e o formulário continua disponível assim como a nossa campanha de consciencialização”, finaliza Mafalda Azevedo.

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