Ciência & Tecnologia

BeSafeBeeHoney age para proteger as abelhas e melhorar a qualidade do mel

Por Bruna Fontaine

Iniciativa envolve toda cadeia de produção do mel para conseguir mitigar diferentes problemas deste setor. Ação sobre apicultura pretende “tornar sistema mais sustentável e acabar com focos de contaminação”. Por Joana Almeida e Bruna Fontaine

A iniciativa BeSafeBeeHoney: Beekeeping Products Valorisation and Biomonitoring for the Safety of Bees and Honey é dinamizada pela Universidade de Coimbra (UC) em coordenação com o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV). Integra o programa intergovernamental de Cooperação Europeia em Ciência e Tecnologia (COST) e apresenta como principal objetivo a divulgação da problemática associada às abelhas melíferas e ao desenvolvimento de uma apicultura sustentável.

Com início em setembro do ano passado, a ação prevê uma duração de quatro anos e é financiada pela COST. Esta é uma organização europeia que suporta redes de investigação, permitindo o desenvolvimento de novas ideias em diversas áreas científicas e tecnológicas. Ao contrário de alguns projetos europeus, o BeSafeBeeHoney não pretende que se faça nova investigação no campo de estudos, procurando juntar todas as informações disponíveis sobre cada tópico na forma de publicações científicas e ‘webinars’.

Sara Leston, investigadora do Centro de Ecologia Funcional (CEF) do Departamento de Ciências da Vida da UC, explica que estão previstas atividades de avaliação de fatores como “a contaminação ambiental, a parte nutricional do mel e de produtos relacionados”. Também os fatores bióticos e abióticos que possam influenciar a sua produção e a saúde das abelhas são alvos de análise. A docente refere ainda que os trabalhos se baseiam no mote “do prado ao prato” para garantir que “seja tudo mais sustentável, para se melhorar as condições de trabalho dos apicultores e inverter o declínio das abelhas melíferas”, esclarece.

Unem-se dentro desta iniciativa não só investigadores da academia. Trabalham em conjunto apicultores, produtores e pessoas ligadas à legislação e regulação de leis dos vários países envolvidos. O programa pretende evidenciar a “urgência em preservar as abelhas e as suas colmeias, reduzindo ao máximo os contaminadores que têm um impacto negativo, bem como a criação de um mel com melhores propriedades nutricionais”, destaca a investigadora. Segundo Sara Leston, “é do conhecimento de todos que os polinizadores estão em declínio, incluindo as abelhas”.

Sustentabilidade, multidisciplinaridade e visibilidade:

De acordo com a docente, a ação distingue-se pela multidisciplinaridade: “é ao juntar pessoas de diferentes áreas científicas e aqueles que produzem o mel que conseguimos identificar os pontos de intervenção”. A cooperação diversificada pretende “tornar o sistema mais sustentável e acabar com os focos de contaminação”, acrescenta a investigadora sobre a intervenção junto dos próprios apicultores. O BeSafeBeeHoney passa por toda a cadeia de produção do mel para conseguir desenvolver-se nas diferentes problemáticas deste setor.

Além dos diferentes domínios, a iniciativa promove a inclusão no campo investigativo. Tanto na COST, como no próprio desenvolvimento da ação, existe “uma percentagem muito elevada de mulheres, o que não costuma acontecer”, sublinha Sara Leston. Os jovens estudantes e investigadores são também parte dos estudos. Esclarece que “ter uma massa muito jovem” é fruto das candidaturas on-line, que permitem aos jovens “participar ativamente em todas as reuniões, na escrita de artigos e na discussão da problemática”.

Em Coimbra, outros programas voltados para o tema ajudam a “dar visibilidade não só a nível citadino, mas a nível nacional e europeu, chamando a atenção para estas questões”, afirma a investigadora. “Na cidade existem várias ações relacionadas com os polinizadores e a proteção das abelhas, não focando apenas nas melíferas”, clarifica. A BeSafeBeeHoney é coordenada em Portugal e une várias camadas de investigação dentro da comunidade intermunicipal e das ações europeias.

A participação nesta iniciativa “passa pela inscrição no site da COST e pela integração nos grupos de ação que cada um identifica como prioritários”, desvenda a investigadora do CEF. A rede de trabalhos é apoiada pelas plataformas digitais para “facilitar as discussões entre pessoas de uma pluralidade de países”, acrescenta. A BeSafeBeeHoney também procura uma maior visibilidade através das diferentes redes sociais.

Sara Leston sublinha que esta “é uma ação relevante, pelo que se torna cada vez mais necessário gerir a questão dos polinizadores”. A docente conclui que é satisfatório o reconhecimento do mérito de Portugal, “que conseguiu conduzir uma iniciativa como esta, dando suporte às abelhas melíferas”.

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