Cidade

À conversa sobre feminismo queer e interseccionalidade

Camila Luís

Participantes acreditam que diferentes correntes do feminismo podem resultar em enfraquecimento da causa. Patriarcado, indústria pornográfica e capitalismo destacados como ameaças ao papel da mulher na sociedade. Por Camila Luís e Inês Reis.

Na terça-feira, dia 27 de fevereiro, o Student Hub acolheu uma roda de conversas dinamizada pelo núcleo de Coimbra do movimento HeForShe. A organização do evento contou também com a Secção de Defesa dos Direitos Humanos da Associação Académica de Coimbra (SDDH/AAC) e a Rede Ex Aequo, associação de jovens LGBTQI+ e apoiantes. O feminismo queer e a interseccionalidade estiveram na base das discussões.

De modo a quebrar o gelo, a sessão começou com uma atividade de apresentação, seguida pela distribuição aleatória dos participantes e organizadores em grupos. Terminado o momento de reflexão, cada roda apresentava as conclusões aos restantes presentes. O encontro centrou-se na discussão de três subtemáticas: “diferentes perspetivas sobre o feminismo”, “como é que o feminismo se alia à luta LGBTQI+?”, “sexualização da mulher lésbica e a infantilização do homem transgénero”.

No que diz respeito ao primeiro tópico, destacaram-se as diferentes correntes feministas, entre as quais a liberal e a interseccional. No momento de se fazerem ouvir, os integrantes concluíram que a fragmentação do feminismo, apesar de ser um resultado da sua evolução histórica, pode causar atritos dentro do movimento ou, até, o seu enfraquecimento. Além disto, evidenciaram que a distinção de diversas vertentes pode resultar na segmentação e falta de interesse da sociedade sobre a luta.

A apresentação prosseguiu com o debate acerca da importância da união entre o feminismo e a luta LGBTQI+, no qual se salientou o patriarcado e o capitalismo, enquanto agentes que perturbam estas causas. Alex Canha, vice-presidente da Rede Ex Aequo, sublinhou que “é impossível falar de feminismo sem falar de pessoas queer, assim como falar da comunidade LGBTQI+ sem falar de feminismo”, premissa com a qual todo o painel concordou. O estudante mencionou, ainda, que o feminismo e os direitos LGBTQI+ se encontram interligados desde sempre, “intersectam-se de tal forma que é quase como uma luta só”, defendeu.

Em relação à última subtemática, foram abordados aspetos como a hipersexualização da mulher lésbica na indústria pornográfica e o preconceito e vilanização perante homens transgénero. Foi unânime a ideia de que a cultura pornográfica perpetua a objetificação da mulher para satisfação masculina, acentuando o papel do homem como ser dominante. Joana Claro, tesoureira da SDDH/AAC, considera que este tipo de temas não recebem a importância que deviam, logo “iniciativas como esta são muito importantes no sentido de consciencializar e educar as pessoas para o feminismo interseccional”.

Constança Páris, coordenadora do núcleo de Coimbra da Heforshe, revelou que, apesar dos esforços no âmbito dos trabalhos dinamizados, o número de apoiantes masculinos não corresponde ao que se ambicionava. Informou também que, no dia 29 de fevereiro, pelas 17h30, no Auditório II do Student Hub, vai decorrer um debate sobre política inclusiva, no qual vão estar presentes os representantes de vários partidos políticos.

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